Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Publicidade

Rotavírus C ganha relevância nos casos de diarreia neonatal em leitões

Dados laboratoriais e estudo internacional indicam maior participação do agente em surtos, reforçando a necessidade de ampliar protocolos diagnósticos na suinocultura

A diarreia neonatal segue entre os principais desafios sanitários da suinocultura, com impacto direto sobre mortalidade, ganho de peso e uniformidade dos lotes. Entre os agentes virais associados ao problema, os rotavírus já são amplamente reconhecidos, especialmente o Rotavírus do grupo A (RVA). No entanto, evidências recentes apontam que o Rotavírus do grupo C (RVC) pode ter participação mais relevante do que se considerava anteriormente.

Em artigo técnico assinado por Julia Helena Montes e Karina Sonalio, o aumento da ocorrência de rotavirose em leitões no Brasil é relacionado a uma maior taxa de positividade para RVC, inclusive em amostras negativas para RVA. Dados laboratoriais dos últimos três anos, citados pelas autoras, mostram que 35,23% das amostras de leitões lactentes com diarreia tiveram detecção de rotavírus.

Dados apontam presença expressiva do RVC

Na tipificação das 1.601 amostras avaliadas, 19,05% foram positivas para RVA, 17,74% para RVC e 2,25% para Rotavírus do grupo B (RVB). Também foram identificadas codetecções entre diferentes grupos virais no mesmo material, com 9,22% dos casos positivos envolvendo RVA e RVC ao mesmo tempo.

Para as autoras, esses resultados sugerem uma possível mudança no perfil epidemiológico das rotaviroses suínas. O cenário reforça a importância de incluir o RVC de forma mais frequente nos protocolos de diagnóstico de diarreia neonatal, principalmente em granjas comerciais com surtos recorrentes.

Monitoramento sanitário em maternidades suínas é essencial para identificar agentes associados à diarreia neonatal e orientar medidas de controle nos leitões. Crédito: Inteligência Artificial

Estudo canadense reforça associação com diarreia

Um estudo publicado em 2025 na revista Veterinary Microbiology também apontou a relevância clínica do RVC em sistemas comerciais de produção de leitões. A pesquisa foi conduzida em 19 unidades produtoras durante episódios de diarreia em leitões lactentes, com coleta de amostras de animais doentes, leitões saudáveis, matrizes e ambiente de maternidade.

O RVC foi detectado em 100% das granjas avaliadas durante os episódios de diarreia. Na análise por lote, os leitões de grupos positivos para RVC apresentaram 7,1 vezes mais chance de desenvolver diarreia. Já o RVA não teve associação estatística significativa com a ocorrência clínica no estudo, apesar da alta prevalência encontrada nos animais avaliados.

Ambiente pode atuar como fonte de reinfecção

Outro ponto de atenção é a presença do vírus no ambiente da maternidade. O estudo canadense identificou RVC em baias, portas, escamoteadores, ventiladores, carrinhos e painéis móveis, com 32,4% das amostras ambientais positivas. As sequências virais encontradas no ambiente eram geneticamente idênticas às detectadas nos leitões da mesma sala.

Esse achado indica que o ambiente pode atuar como fonte de infecção e reinfecção dentro da maternidade, ampliando o desafio de controle. Além disso, a baixa detecção de RVC em matrizes lactantes, de apenas 4%, sugere que a eliminação fecal pelas fêmeas pode ser limitada, mas a imunidade colostral específica contra o agente também pode ser insuficiente.

Diagnóstico ampliado é medida estratégica

Diante desse cenário, o RVC deve ser considerado um agente importante na investigação de surtos de diarreia neonatal em leitões. A alta prevalência em granjas com episódios clínicos, a associação estatística com diarreia ao nível de lote e a detecção ambiental reforçam a necessidade de protocolos mais abrangentes.

Para a suinocultura, a ampliação do diagnóstico pode contribuir para decisões sanitárias mais precisas, especialmente em maternidades com histórico de rotavirose. O monitoramento do RVC, aliado a medidas de limpeza, desinfecção e controle ambiental, tende a ganhar importância na prevenção de perdas produtivas e na melhoria da uniformidade dos lotes.

Você está em
Texto 100%