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EUA registram 15 casos de Mosca-da-bicheira e ampliam alerta para a pecuária

Novas confirmações no Texas reforçam preocupação com a praga, que pode atingir bovinos, ovinos, animais silvestres, pets e, raramente, pessoas

Os Estados Unidos registraram aumento nos casos de mosca-da-bicheira-do-novo-mundo, com o total chegando a 15 confirmações após três novos animais testarem positivo no Texas. As ocorrências mais recentes envolvem um cordeiro no condado de Crockett e dois bezerros no condado de Edwards, segundo informações divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A confirmação ocorre cerca de três semanas após a identificação da primeira infestação doméstica pela praga em décadas, registrada em um bezerro no Texas. A situação acendeu o alerta entre pecuaristas e autoridades sanitárias, especialmente porque a mosca-da-bicheira-do-novo-mundo pode afetar animais de sangue quente, incluindo bovinos, ovinos, caprinos, animais de estimação, fauna silvestre e, em casos raros, pessoas.

Praga causa feridas graves nos animais

A mosca-da-bicheira-do-novo-mundo é uma espécie parasitária cujas larvas se alimentam de tecido vivo. As fêmeas depositam ovos em feridas abertas e, após a eclosão, as larvas penetram no tecido do animal, provocando lesões severas que podem evoluir para quadros graves e até fatais quando não tratadas.

Além do impacto sobre o bem-estar animal, a praga representa risco econômico para a pecuária. Em surtos amplos, os prejuízos podem envolver mortalidade, custos com tratamento, restrições de movimentação animal e perdas de produtividade. No Texas, especialistas já estimaram que uma disseminação maior poderia provocar perdas bilionárias ao setor.

Veterinários e produtores reforçam a vigilância sanitária em rebanhos após novos casos de mosca-da-bicheira-do-novo-mundo nos Estados Unidos. Crédito: Inteligência Artificial

Resposta depende de moscas estéreis

O USDA informou que seguirá com ações de erradicação nas áreas afetadas, incluindo a liberação de moscas estéreis. A técnica consiste em dispersar insetos incapazes de se reproduzir, que acasalam com moscas selvagens e reduzem gradualmente a população da praga.

Esse método já foi utilizado em campanhas anteriores de controle e erradicação da mosca-da-bicheira em países da América do Norte e Central. No entanto, a resposta atual enfrenta um desafio operacional: a disponibilidade de moscas estéreis ainda é considerada limitada diante da necessidade de contenção do avanço da praga.

Capacidade de produção ainda é gargalo

Em abril, o USDA iniciou a construção de uma nova instalação para produção de moscas estéreis. A unidade, considerada estratégica para ampliar a capacidade de resposta, deve entrar em operação apenas no fim de 2027, o que mantém a dependência de estruturas já existentes no curto prazo.

Atualmente, a principal instalação operacional citada para esse tipo de produção está localizada no Panamá, com capacidade aproximada de 100 milhões de moscas estéreis por semana. Em uma emergência sanitária de maior escala, a demanda pode chegar a 600 milhões de insetos estéreis por semana, segundo estimativas de agências internacionais.

Agências da ONU anunciam projeto

A Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciaram um projeto de pesquisa de US$ 1 milhão para apoiar o combate ao avanço da mosca-da-bicheira nas Américas. A iniciativa busca fortalecer o uso da técnica do inseto estéril e enfrentar a escassez de moscas disponíveis para liberação.

A praga ressurgiu na América Central e no México antes de ser confirmada nos Estados Unidos, elevando a preocupação sobre os riscos para rebanhos, vida silvestre e animais domésticos. Para o setor pecuário, o avanço reforça a importância da vigilância sanitária, da rápida identificação de feridas suspeitas e da coordenação entre autoridades, produtores e serviços veterinários.

Com novas confirmações no Texas, a contenção da mosca-da-bicheira-do-novo-mundo passa a ser acompanhada de perto pela cadeia produtiva. A evolução dos casos, a capacidade de resposta com moscas estéreis e as medidas de controle de movimentação animal serão determinantes para limitar os impactos sanitários e econômicos do surto.

Fonte: Reuters, adaptado pela equipe Feed&Food

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