O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, recebeu nesta terça-feira (26), em Brasília (DF), representantes da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) para discutir o cenário atual e as perspectivas do setor no país. A reunião ocorreu na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e teve como foco temas regulatórios, abertura de mercados e fortalecimento da atividade.
Durante o encontro, foram apresentados dados sobre a cadeia de reciclagem animal, que transforma resíduos oriundos de estabelecimentos de abate e do varejo em insumos utilizados por diferentes segmentos produtivos. Segundo a Abra, o Brasil recicla 100% dos resíduos derivados dessas operações e é o segundo maior coletor de resíduos animais do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Resíduos ganham valor industrial
Os resíduos processados pelo setor incluem partes não destinadas ao consumo humano, como ossos, penas, vísceras, escamas e gordura. Após o processamento, esses materiais dão origem a produtos como farinha de carne e osso, farinha de sangue, proteína hidrolisada de frango, palatabilizantes, sebo bovino e óleo de peixe.
Esses insumos são utilizados em cadeias como biodiesel, alimentação animal, indústria química e fertilizantes. A atividade, portanto, aparece como parte das discussões sobre economia circular, ao reduzir o descarte de resíduos e ampliar o aproveitamento de matérias-primas geradas pela produção animal.

Exportações e abertura de mercados
De acordo com os dados apresentados, o setor responde por 15% da pauta exportadora do segmento. Em 2025, as exportações já somaram mais de 926,5 mil toneladas, dentro de uma produção superior a 6,17 milhões de toneladas.
Na reunião, os representantes da Abra também apresentaram demandas relacionadas à abertura de novos mercados, com atenção especial ao continente asiático. O tema envolve exigências sanitárias, habilitação de empresas e negociações internacionais para ampliar o acesso dos produtos brasileiros.
O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, destacou a importância dos avanços regulatórios e da habilitação sanitária para consolidar a presença do setor no mercado externo. Segundo ele, a reciclagem animal tem papel estratégico na sustentabilidade e na agregação de valor a resíduos da cadeia produtiva.
Setor busca previsibilidade
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, também participou da reunião e ressaltou a importância das informações técnicas apresentadas pela entidade nas negociações internacionais. A ampliação de mercados e o fortalecimento das exportações foram apontados como pontos centrais para o desenvolvimento do setor.
Para o presidente-executivo da Abra, Décio Coutinho, a cadeia tem relevância econômica, ambiental e sanitária para o país. “Não existe nenhum setor mais sustentável do que esse”, afirmou. Segundo ele, a associação reúne 92% das graxarias existentes no Brasil.
Fundada em 2006, a Abra reúne atualmente 264 indústrias e 71 grupos associados. O setor gera mais de 57 mil empregos no país e busca ampliar sua participação internacional por meio de avanços regulatórios, maior previsibilidade sanitária e abertura de novos destinos comerciais.
Fonte: Mapa e Abra, adaptado pela equipe Feed&Food
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