O mercado suinícola brasileiro atravessa um período de forte pressão sobre os preços neste início de ano. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações do suíno vivo acumulam quedas que chegam a 20% ao longo de janeiro, movimento que vem sendo observado há cerca de três semanas.
De acordo com os pesquisadores, a desvalorização é mais sentida no mercado independente (spot), onde muitos produtores já negociam o animal a preços muito próximos ou até abaixo dos praticados na produção integrada. Historicamente, as cotações do mercado independente operam acima das da integração, justamente pelos custos mais elevados assumidos pelos produtores nesse modelo.
O cenário atual, portanto, inverte uma lógica tradicional do setor e amplia a preocupação quanto à margem da atividade. A combinação de oferta mais ajustada e ritmo de consumo ainda limitado no mercado interno tem mantido a pressão sobre os valores pagos ao produtor.

Apesar do momento de baixa no mercado doméstico, o desempenho da carne suína brasileira no comércio exterior segue como um ponto de sustentação para o setor. Dados da UN Comtrade, da Organização das Nações Unidas (ONU), compilados e analisados pelo Cepea, mostram que o Brasil foi o país mais competitivo do mundo nas exportações da proteína em 2025.
O valor médio da carne suína brasileira exportada ficou em US$ 2,57 por quilo, abaixo dos principais concorrentes globais. Os Estados Unidos e a União Europeia, respectivamente o primeiro e o segundo maiores exportadores mundiais, registraram ambos média de US$ 3,18 por quilo no período.
Atualmente, o Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial de exportadores de carne suína. A diferença de preços reforça a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, mesmo em um cenário de margens mais apertadas no mercado interno.
A expectativa do setor é que o ritmo das exportações siga ajudando a equilibrar o mercado ao longo dos próximos meses, enquanto produtores acompanham com cautela a evolução dos preços pagos ao suíno vivo no país.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food.
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