As exportações de carne suína dos Estados Unidos para o México seguem mantidas mesmo após a confirmação de surtos de pseudorrabia, também conhecida como doença de Aujeszky, em rebanhos localizados nos estados de Iowa e Texas. Apesar disso, alguns produtos derivados da cadeia suinícola passaram a enfrentar restrições sanitárias preventivas impostas por parceiros comerciais.
O foco sanitário foi identificado no fim de abril em granjas ligadas aos dois estados norte-americanos. Desde então, autoridades sanitárias dos Estados Unidos e de países importadores passaram a intensificar medidas de monitoramento e controle para evitar riscos relacionados à disseminação da doença.
Segundo informações divulgadas pela Federação Americana de Exportação de Carne (USMEF), os cortes de carne suína continuam liberados para exportação ao México. No entanto, produtos considerados de maior risco sanitário, como peles e vísceras, tiveram cargas retidas ou impedidas de avançar no desembaraço aduaneiro mexicano.
A entidade destacou ainda que o diálogo entre as autoridades sanitárias dos Estados Unidos e do México permanece em andamento para avaliar os próximos passos relacionados ao comércio entre os países.

Canadá também adota medidas preventivas
Além do México, o Canadá também implementou restrições pontuais relacionadas ao surto. As medidas envolvem principalmente materiais classificados como de maior risco sanitário, incluindo subprodutos crus não comestíveis, produtos derivados de sangue suíno sem tratamento e esterco suíno cru.
As restrições têm caráter preventivo e fazem parte dos protocolos sanitários normalmente adotados diante da confirmação de enfermidades que possam afetar a cadeia produtiva animal.
Até o momento, nenhum novo caso foi oficialmente comunicado à Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) desde a identificação inicial dos focos ligados a Iowa e Texas.
Doença permanece presente em populações selvagens
A pseudorrabia é considerada controlada na maior parte da produção comercial norte-americana, mas o vírus ainda circula em algumas populações de suínos selvagens nos Estados Unidos. Essa condição mantém o risco de transmissão ocasional para sistemas de criação ao ar livre.
Diante desse cenário, autoridades sanitárias norte-americanas informaram que devem ampliar as ações de vigilância epidemiológica e resposta sanitária, seguindo os protocolos do programa de erradicação da doença no país.
Casos esporádicos da enfermidade também continuam sendo registrados em diferentes regiões do mundo. Em 2026, surtos foram reportados na Hungria e em Papua Nova Guiné, enquanto a França registrou novo ressurgimento da doença no fim de 2025.
Sintomas afetam diferentes fases da produção
A doença de Aujeszky é causada pelo herpesvírus suíno tipo 1 e pode provocar impactos sanitários importantes em animais de diferentes idades.
Entre os principais sintomas estão problemas respiratórios, perdas reprodutivas, abortos e nascimento de leitões natimortos. Em animais jovens, os sinais clínicos podem incluir falta de coordenação motora, perda de apetite, vômitos e diarreia.
Já em suínos mais velhos, a enfermidade pode causar espirros, tosse, pneumonia e, em casos mais severos, até cegueira, aumentando os prejuízos sanitários e produtivos nas granjas afetadas.
Fonte: USMEF, WOAH e imprensa internacional, adaptado pela equipe Feed&Food
LEIA TAMBÉM
Aquicultura paulista ganha força e tilápia passa a integrar o valor da produção agropecuária
Alta dos insumos pressiona produção animal e entra no centro dos debates do CBNA 2026
Esmagamento de soja avança no Brasil impulsionado por farelo e biodiesel




