Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
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Suinocultura: momento exige cautela e gestão eficiente

O cenário atual é desafiador para a suinocultura.

Embora o Brasil mantenha um dos menores custos de produção do mundo e elevada eficiência produtiva, a oferta interna de carne suína cresceu de forma significativa, pressionando os preços pagos ao produtor.

O analista de mercado da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS),  Iuri Pinheiro Machado, hoje, muitos suinocultores operam com margens negativas, resultado da desvalorização do suíno vivo no mercado doméstico. Por outro lado, essa competitividade favorece as exportações. “A paridade de exportação está bastante atrativa, principalmente devido ao câmbio favorável e à forte demanda internacional, o que ajuda a absorver parte da produção nacional. Ainda assim, no mercado interno, o desafio permanece em equilibrar a maior disponibilidade de carne com o ritmo do consumo”, detalha o consultor.

Ele explica que o equilíbrio passa pela combinação de dois fatores principais: fortalecimento das exportações e ampliação do consumo interno. “No mercado externo, o Brasil vive um momento favorável, com diversificação dos destinos, crescimento das vendas para mercados de alto valor agregado, como o Japão, e boas perspectivas para a Ásia, onde há grande potencial de expansão da demanda”, diz. “No mercado interno, preços mais competitivos representam uma oportunidade para conquistar novos consumidores e consolidar o aumento do consumo per capita de carne suína. A expectativa é que a demanda também seja naturalmente fortalecida à medida que se aproxima o final do ano, período tradicionalmente mais aquecido para o consumo”, afirma.

O momento exige cautela e gestão eficiente, aponta Machado. “Enquanto o mercado atravessa um período de margens negativas, o produtor deve concentrar esforços no controle rigoroso dos custos, na manutenção da produtividade e na eficiência dos sistemas de produção. Esses fatores são fundamentais para atravessar um período de maior pressão sobre a rentabilidade. Ao mesmo tempo, é importante acompanhar a evolução das exportações e do consumo interno, que serão determinantes para a recuperação gradual do mercado”, diz.

Segundo o consultor da ABCS, a expectativa é que o mercado continue desafiador no curto prazo, embora existam fatores que possam contribuir para uma melhora gradual ao longo do segundo semestre. “Historicamente, a demanda por carne suína aumenta nos últimos meses do ano, o que tende a favorecer o escoamento da produção”, afirma.  “Além disso, as exportações devem permanecer atrativas, já que não há perspectiva, neste momento, de uma desvalorização significativa do dólar e o mercado internacional segue aquecido”, aponta.

Por outro lado, de acordo com ele, o ritmo dessa recuperação dependerá do equilíbrio entre o volume de abates, o desempenho das exportações e a capacidade do mercado interno de absorver a maior oferta de carne suína. “Até que esse ajuste ocorra, a recomendação é manter disciplina na gestão dos custos e foco na eficiência produtiva”, diz.

Com relação à crise da suinocultura em Santa Catarina, Lousivanio Luiz de Lorenzi, Presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), a entidade tem visto  que ela se prolongou porque a redução de preços não chegou ao consumidor na mesma proporção em que chegou aos produtores. “Isso é algo que estamos achando estranho, pois alguém está ficando com essa parte que deveria ser dos produtores.  No começo do ano, o preço pago ao produtor era superior a R$ 8,00 por quilo. Hoje, está entre R$ 4,20 e R$ 5,00, dependendo da região. No entanto, não tivemos essa mesma redução percentual nos preços ao consumidor final”, detalha.  “Isso tem trazido uma dificuldade ainda maior para escoar a produção. Caso os mercados reduzissem os preços na mesma proporção, sem dúvida, a carne suína seria mais competitiva em relação às carnes bovina e de frango. Essa é uma das principais dificuldades desta crise”, diz.

Lousivanio Luiz de Lorenzi explica que embora o estado tenha exportado 53 mil toneladas a mais em comparação ao mesmo período do ano passado, ainda não está conseguindo obter o retorno que deveria chegar ao produtor por meio do preço do suíno. “Hoje, um produtor comercializa um animal com aproximadamente 135 a 140 quilos. Considerando que o custo de produção está próximo de R$ 6,40 por quilo e que o suíno está sendo vendido por menos de R$ 5,00, o prejuízo pode chegar a quase R$ 300,00 por animal”, aponta.

Essa situação, segundo ele, faz com que o produtor comece a desacreditar na atividade, diminua a produção ou até mesmo encerre suas atividades no meio rural. “Isso, sem dúvida, terá impactos futuros em nosso estado, principalmente por ser o maior produtor e o maior exportador”, afirma. “Também fará com que o campo fique cada vez mais empobrecido, porque as estruturas que temos atualmente são específicas para esse tipo de produção. Caso a atividade seja encerrada, essas instalações dificilmente poderão ser aproveitadas ou comercializadas”, aponta.

Em um momento de crise, outros produtores também não terão interesse em crescer ou adquirir equipamentos que, devido ao tempo de uso, talvez já estejam tecnologicamente desatualizados, explica o presidente da ACCS. “Portanto, a situação que estamos vivendo atualmente na suinocultura é motivo de grande preocupação”, afirma.

Em São Paulo, Valdomiro Ferreira Júnior, Presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), explica que o mercado de suínos no Estado permanece sob forte pressão, com os preços de venda mantendo-se abaixo do custo de produção.

“Na data de ontem (27/07), a relação de troca indica que uma arroba de suíno compra apenas 1,45 saca de milho de 60 kg, posto na região de Campinas. O patamar considerado adequado para garantir maior equilíbrio econômico ao produtor seria de aproximadamente 2,0 sacas por arroba”, detalha Ferreira.

As perspectivas para o curto prazo permanecem indefinidas e preocupantes, segundo Ferreira. “Para o suinocultor paulista, o ano de 2026 já pode ser considerado comprometido sob o ponto de vista da rentabilidade financeira. Mesmo que ocorra uma recuperação dos preços nos próximos quatro meses, dificilmente ela será suficiente para compensar os prejuízos acumulados, que se intensificaram a partir do mês de abril deste ano”, aponta.  “A força da cadeia não pode ser medida apenas pelo volume que produz ou pelos mercados que alcança. Ela também depende da capacidade de o produtor investir, planejar e continuar produzindo.  A suinocultura brasileira aprendeu a produzir mais, melhorar processos e competir em mercados cada vez mais exigentes. Esse avanço merece ser reconhecido. Ele nasce do trabalho diário de produtores, equipes técnicas, empresas, entidades e profissionais que fizeram a atividade evoluir. Mas existe uma pergunta que precisa acompanhar toda conversa sobre crescimento: Esse avanço está dando ao produtor condições de planejar o próximo ciclo?”, questiona Valdomiro Ferreira Junior.

O produtor precisa administrar alimentação, energia, mão de obra, sanidade, manutenção, transporte, exigências ambientais, financiamento, tecnologia e comercialização. Crédito: Reprodução

Produzir mais é importante. Produzir com perspectiva é essencial.

Quando falamos em crescimento, normalmente olhamos para produção, consumo, novos mercados e capacidade técnica. Todos esses indicadores importam. “O problema aparece quando eles são tratados como se explicassem, sozinhos, a saúde econômica da atividade. “Dentro da granja, a leitura é mais complexa. O produtor precisa administrar alimentação, energia, mão de obra, sanidade, manutenção, transporte, exigências ambientais, financiamento, tecnologia e comercialização. Precisa manter a qualidade da produção enquanto lida com variáveis que mudam mais rápido do que a sua capacidade de resposta”, detalha Valdomiro Ferreira Junior.

Segundo ele, uma cadeia pode apresentar bons resultados gerais e, ao mesmo tempo, deixar o produtor sem espaço para investir. “Pode ampliar sua presença no mercado e ainda assim conviver com insegurança na base. Pode produzir mais sem transformar esse volume em previsibilidade. E a previsibilidade não significa eliminar o risco. Nenhuma atividade produtiva oferece essa garantia. Significa dar ao produtor melhores condições para ler o mercado, organizar custos, negociar com critério e tomar decisões antes que o problema esteja dentro da granja”, afirma.

Margem não é privilégio. É capacidade de continuar

Falar de margem não é defender um benefício isolado para o produtor. É falar da continuidade de toda a cadeia. “É a margem que permite manter empregos, investir em sanidade, modernizar estruturas, cumprir exigências ambientais, adotar tecnologia, melhorar o bem-estar animal e preparar a sucessão”, aponta o Presidente a APCS. “Sem margem, o produtor adia. Posterga manutenção, reduz investimento e passa a tomar decisões defensivas. Não por falta de compromisso, mas porque a atividade deixa de oferecer espaço para construir o futuro”, diz. “Quando esse quadro se prolonga, o impacto não termina na granja. Ele chega aos fornecedores, aos municípios, à indústria, ao varejo e ao consumidor.  Por isso, a sustentabilidade econômica de quem produz não pode ser tratada como um assunto particular. Ela é uma condição para a estabilidade da cadeia”, aponta.

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