Caroline Mendes, caroline@dc7comunica.com.br
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) divulgou nesta sexta-feira dois destaques para o setor avícola: enquanto os preços dos ovos encerraram a primeira quinzena de outubro em comportamento estável, as exportações de carne de frango continuam em trajetória ascendente, mesmo diante dos desafios trazidos pela gripe aviária.
Ovos: estabilidade na quinzena
Nos mercados acompanhados pelo Cepea, os preços dos ovos permaneceram estáveis ao longo da primeira quinzena de outubro. Segundo os pesquisadores, a valorização observada no início do mês — impulsionada pelo aumento da demanda pela proteína — perdeu força nos últimos dias.
Mesmo assim, o bom ritmo de vendas e uma oferta controlada em diversas praças ajudaram a sustentar as cotações. A menor pressão de baixa é explicada pela gestão equilibrada entre produção e consumo, o que vem garantindo estabilidade nos principais polos produtores do país.
De acordo com o Cepea, a regularidade do mercado reflete um cenário de cautela por parte dos agentes, que monitoram tanto a reposição de estoques quanto o comportamento do consumidor neste período de transição entre meses, tradicionalmente mais estável para o setor.

Frango: exportações em alta
No segmento da carne de frango, o cenário é mais positivo. Caso o ritmo atual se mantenha nas próximas semanas, 2025 pode encerrar com recorde no volume exportado — resultado que ganha ainda mais relevância diante do surto de gripe aviária registrado em maio, em uma granja comercial no Rio Grande do Sul.
Segundo o Cepea, o Brasil registrou em setembro o maior volume exportado em 11 meses, e o desempenho de outubro segue acelerado: o ritmo diário de embarques está 9,6% superior ao de setembro e 16% acima do observado no mesmo período de 2024.
A retomada das importações de frango brasileiro pela União Europeia tem sido um dos principais fatores de impulso para o setor. Mesmo assim, as vendas para a China — importante destino da proteína — permanecem suspensas, o que indica que há potencial para resultados ainda mais expressivos caso o mercado asiático volte a importar.
Os pesquisadores do Cepea ponderam, contudo, que o controle sanitário continuará sendo determinante para a manutenção do bom desempenho das exportações. Novos casos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1 ou similares) em granjas comerciais poderiam afetar as negociações e alterar o cenário otimista que hoje se desenha para a avicultura brasileira.
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