Caroline Mendes, de Piracicaba (SP)
O manejo das bezerras nos primeiros dias de vida é determinante para a produtividade futura das vacas leiteiras. Essa foi a principal mensagem de Edson Poppi, diretor técnico da Lallemand Animal Nutrition, em sua palestra no Encontro de Consultores e Nutricionistas de Ruminantes 2025. O especialista destacou que a saúde intestinal é a base para um desenvolvimento equilibrado, impactando diretamente no desempenho reprodutivo e produtivo dos animais ao longo de sua vida.

Segundo Poppi, o cuidado humano é o primeiro fator a ser considerado. “Quem mexe com uma bezerra é tão importante quanto a nutrição e o ambiente. A sensibilidade no manejo faz diferença nos resultados”, afirmou.
Outro ponto crucial é a redução do uso de antibióticos. A pressão do mercado e dos consumidores por alimentos mais naturais exige alternativas eficazes. Nesse cenário, os probióticos – em especial cepas específicas de Saccharomyces cerevisiae boulardii I-1079 – têm se mostrado ferramentas estratégicas.
“Cada cepa de levedura tem uma ação diferente. No caso da S. boulardii I-1079, ela sobrevive ao pH ácido do estômago e à temperatura corporal, modulando a microbiota intestinal, reforçando a imunidade e reduzindo a incidência de diarreias”, explicou.
Poppi apresentou dados de pesquisas que comprovam a eficácia do probiótico em bezerras e novilhas. Os resultados incluem:
- Redução de até 80% nos casos de diarreia em bezerreiros;
- Menor necessidade de antibióticos, graças à maior resistência natural dos animais;
- Melhora da resposta vacinal, com maior produção de imunoglobulinas;
- Ganho de peso superior em diferentes fases de crescimento.
Além dos benefícios na pecuária leiteira, o especialista destacou aplicações no gado de corte, principalmente no período de adaptação ao confinamento, quando os animais enfrentam desafios digestivos e imunológicos. Estudos apontam que o uso do aditivo melhora o consumo de matéria seca, reduz problemas respiratórios e aumenta a eficiência alimentar, resultando em melhor rendimento de carcaça.
Para Poppi, a transição para soluções naturais é inevitável. “Mais cedo ou mais tarde, virão restrições ao uso de antibióticos. Quem se antecipar estará preparado e colherá os benefícios. A saúde intestinal é a chave para o futuro da produção animal”, concluiu.
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