Produtores de leite do Rio Grande do Sul voltaram a manifestar preocupação com a redução nos preços pagos pela indústria, mesmo em um contexto de estabilidade e leve recuperação nas cotações internacionais. Relatos apontam cortes recentes que têm intensificado a pressão sobre a renda dos criadores.
De acordo com a Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), produtores têm informado reduções entre R$ 0,10 e R$ 0,20 por litro entregue às indústrias. As queixas chegam em um momento considerado sensível para a atividade, marcado por margens já comprometidas por eventos climáticos e custos elevados.
Segundo o presidente da entidade, Marcos Tang, os criadores questionam a lógica das reduções diante de sinais de estabilidade nas negociações globais e de indicações de leve alta no mercado internacional. Para ele, o cenário reforça a necessidade de maior alinhamento entre indústria e produção primária.

Tang destaca que o setor leiteiro gaúcho enfrenta um período prolongado de dificuldades, com impactos acumulados de estiagens severas e, mais recentemente, enchentes que afetaram a produção e elevaram os custos operacionais nas propriedades. Esse contexto tem reduzido a capacidade de reação dos produtores frente às oscilações de preços.
A entidade avalia que a diminuição dos valores pagos ao produtor ocorre em um momento em que as margens financeiras já se encontram pressionadas, dificultando a manutenção da atividade e novos investimentos nas fazendas. A situação tem ampliado a insatisfação entre criadores e intensificado o debate sobre a formação de preços no estado.
Diante do cenário, a Gadolando defende maior diálogo entre os elos da cadeia produtiva para evitar impactos ainda mais severos à produção. A avaliação é de que a sustentabilidade do setor depende de equilíbrio nas relações comerciais e de maior previsibilidade nas negociações.
A entidade ressalta que o entendimento entre indústria e produtores é essencial para garantir a continuidade da atividade e preservar a competitividade da cadeia leiteira. O momento, segundo a associação, exige cooperação e transparência para mitigar riscos e assegurar a viabilidade econômica do segmento.
Fonte: Gadolando, adaptado pela equipe Feed&Food
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