Camila Santos, de Itá (SC) I camila@dc7comunica.com.br
A 12ª edição do Phibro Master Science (PMS), realizada em Itá (SC), segue com sua progamação na manhã dessa terça-feira, 8 de abril, e traz ao centro das discussões técnicas a complexidade do vírus de Gumboro, especialmente diante das variantes classificadas como G4. Durante a apresentação do M.Sc. José Dias, gerente de Produto & Serviços Técnicos – Vacinas – Phibro SAR, que teve como tema “Gumboro subclínico: realmente está tudo sob controle?”, foi destacado que essas cepas, apesar de não induzirem sintomas clínicos evidentes ou mortalidade em experimentos laboratoriais, são capazes de causar significativa atrofia de Bursa, o que acarreta imunossupressão. “O grupo de pesquisadores foi além: vacinou aves para Newcastle e, 14 dias após, desafiou com a mesma cepa do G4. O que se observou foi que essas aves produziram menos anticorpos e apresentaram maior mortalidade após o desafio com Newcastle, evidenciando a interferência imunológica do G4”, afirmou o palestrante.
Outro estudo argentino abordado durante o evento avaliou a co-infecção entre uma variante de Bronquite Infecciosa e o G4, com resultados semelhantes. As aves desafiadas com ambos os agentes apresentaram resposta sorológica inferior àquelas expostas somente à Bronquite. O pesquisador também compartilhou dados de um estudo realizado no Paraná, com lotes entre 18 e 23 dias, mostrando a presença do G4 independentemente do programa vacinal adotado. A análise técnica apontou diferenças significativas em mortalidade (quase 5%) e conversão alimentar entre grupos positivos e negativos para o G4. “A imunossupressão por Gumboro, mesmo sem sintomatologia clínica, torna o ambiente propício a perdas técnicas expressivas em campo, onde há presença de desafios múltiplos, como micotoxinas, poliomavírus e falhas de ambiência”, completou.
A análise de lesões de Bursa reforçou o impacto do G4, com alterações como depressão linfoide, hiperemia e hemorragias estatisticamente superiores nos grupos positivos. O palestrante ainda destacou o efeito de Gumboro sobre outras enfermidades, como Reovírus e Adenovírus. “Em co-infecção com adenovírus, a mortalidade saltou de 20% para quase 50%. E no caso da Bronquite, mostramos um artigo publicado em 2024, com queda expressiva na resposta imune. São múltiplas as portas que se abrem para outros agentes, criando um cenário de imunossupressão silenciosa, mas com impacto produtivo real”, alertou.

O desafio com cepas G4 também se mostrou preocupante em relação à eficácia da proteção materna. Um trabalho recente, também da Argentina, demonstrou que pintinhos com anticorpos maternos vacinados pelas matrizes não conseguiram neutralizar o vírus G4 aos 12 dias de idade, embora tenham sido eficazes contra cepas clássicas. Cerca de 20% dos animais vacinados ainda apresentaram lesão de Bursa após o desafio com G4, indicando que mesmo uma vacinação adequada de reprodutoras pode não ser suficiente contra variantes sul-americanas. “Esse dado acende um alerta: precisamos pensar em estratégias que antecipem a resposta imune ativa, como o uso de vacinas de dose precoce. É um cenário mais complexo do que o enfrentado nos anos 2000. Antes, a mortalidade indicava o problema. Hoje, a imunossupressão é subclínica, mas igualmente prejudicial”, concluiu.
A equipe Feed&Food está cobrindo o evento, trazendo as principais novidades para os leitores. Se quiser, posso seguir com a próxima parte.
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