A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) manifestou, por meio de nota oficial, sua discordância quanto à decisão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) de revogar a suspensão da importação de tilápia oriunda do Vietnã. Segundo a entidade, a medida ignora alertas sanitários e coloca em risco a sanidade aquícola nacional e a segurança alimentar dos consumidores.
A liberação foi formalizada pelo Despacho Decisório nº 379, de 23 de abril de 2025, revertendo o Despacho nº 270, de 9 de fevereiro de 2024, que havia determinado a suspensão das importações com base em preocupações técnicas e sanitárias.
Entre os pontos críticos destacados pela Peixe BR está a presença do vírus TiLV (Tilapia Lake Virus) em lotes provenientes do Vietnã. O patógeno é considerado altamente infeccioso e pode comprometer a produção aquícola, além de representar riscos ao equilíbrio sanitário da cadeia produtiva brasileira. A entidade também questiona práticas industriais do país asiático que não estariam em conformidade com as exigências sanitárias do Brasil.
“A revogação da suspensão, sem garantias de que os riscos foram plenamente mitigados, é uma ameaça à segurança sanitária dos consumidores brasileiros”, afirma a nota.
Concorrência desleal
Além dos aspectos sanitários, a Peixe BR critica o impacto que a medida pode ter sobre a cadeia produtiva nacional, apontando risco de concorrência desleal. Para a entidade, que representa produtores de peixes cultivados em todo o Brasil, a entrada de tilápia importada de países com padrões produtivos diferentes pode prejudicar a competitividade e desvalorizar os esforços locais em qualidade, rastreabilidade e segurança alimentar.
A nota também sugere que a revogação da suspensão possa estar relacionada a tratativas comerciais entre os governos do Brasil e do Vietnã, o que, segundo a entidade, não deveria se sobrepor aos critérios técnicos e sanitários.

Defesa da aquicultura
A Peixe BR encerra seu posicionamento reafirmando o compromisso com a qualidade do pescado brasileiro e com o desenvolvimento sustentável da aquicultura nacional. A entidade reforça seu papel de defensora de uma concorrência justa e equilibrada, pautada por critérios técnicos, sanitários e econômicos.
Fonte: Peixe BR, adaptado pela equipe FeedFood
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