Pesquisadores do Centro de Aquicultura da Universidade Estadual Paulista (Caunesp/Unesp) identificaram novos hospedeiros e ampliaram o conhecimento sobre a diversidade de bactérias associadas à columnariose na aquicultura brasileira. O estudo, publicado na revista Microbial Pathogenesis, analisou 11 isolados obtidos entre 2018 e 2024 de peixes doentes e de sistemas de produção.
A pesquisa não representa a primeira detecção do gênero Flavobacterium no país. O ineditismo está na identificação de determinadas espécies bacterianas em novos hospedeiros e na caracterização de patógenos ainda pouco conhecidos no Brasil.
Espécies nativas entram no mapa
Seis dos 11 isolados pertenciam à espécie Flavobacterium oreochromis. Antes relacionada principalmente à tilápia, a bactéria foi identificada também em tambaqui, lambari e pacu. O trabalho registrou ainda, pela primeira vez, F. davisii em pintado-da-amazônia, ampliando a lista de peixes suscetíveis ao patógeno.
Também foram detectadas F. indicum e F. inkyongense. A columnariose pode provocar lesões esbranquiçadas na pele e nas nadadeiras, erosões e necrose das brânquias. Larvas e alevinos são especialmente vulneráveis, e os quadros podem evoluir rapidamente.

Temperatura favorece persistência
Os testes mostraram que a temperatura influencia o comportamento das bactérias. A 28 °C, faixa comum em águas continentais brasileiras, houve maior produção de biofilme, estrutura que protege os microrganismos e favorece sua permanência em equipamentos e ambientes de cultivo.
F. indicum apresentou maior desenvolvimento a 35 °C, enquanto F. davisii manteve elevada formação de biofilme nessa temperatura, apesar da redução da mobilidade.
“Daí a importância de protocolos robustos de higiene e desinfecção para prevenir a colonização dos equipamentos usados para o manejo dos peixes”, afirma Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.
Vigilância e vacinas
Os pesquisadores realizam análises genômicas para identificar possíveis alvos vacinais. Uma das possibilidades é desenvolver vacinas autógenas, adaptadas às cepas presentes em cada sistema produtivo, inclusive por banho para peixes jovens.
A salinidade também aparece como alternativa potencial de controle. No entanto, ainda são necessários estudos para definir concentrações seguras e eficazes para cada espécie.




