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Palestra da ABCS na COP30 destaca avanços, desafios e futuro da produção

Apresentada por de Everton Krabbe, da Embrapa Suínos e Aves, sessão abordou como a pesquisa e inovação impulsionam nova era da suinocultura brasileira
Por Camila Santos
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Durante o painel temático da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), realizado em 20 de novembro, durante a COP30, em Belém (PA), o pesquisador e chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Luiz Krabbe, apresentou a palestra “Sustentabilidade na prática: o papel da pesquisa e inovação na evolução da suinocultura brasileira”. Ao longo de 30 minutos, o especialista retomou cinco décadas de evolução tecnológica, apontou desafios atuais e destacou o protagonismo do Brasil em soluções sustentáveis para a cadeia produtiva.

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Logo na abertura, Krabbe lembrou que o setor se desenvolveu sobre bases sólidas ao longo de meio século. “A suinocultura que nós temos hoje, que é a melhor do mundo, começou 50 anos atrás. Ela não começou ontem”, afirmou. Para ele, compreender essa trajetória é essencial para explicar o nível atual de eficiência, competitividade e compromisso ambiental.

Tecnologias que antecedem a agenda climática

Ao destacar que sustentabilidade não é um tema recente dentro da suinocultura, Krabbe recordou iniciativas já instaladas ainda na década de 1980, como biodigestores que se tornaram a base da atual geração de biogás e biometano. “Nós estamos falando aí de praticamente 50 anos de história. A sustentabilidade não começou um ano, cinco anos ou dez anos atrás”, explicou.

Hoje, o país já opera modelos avançados de centrais que reúnem dejetos de 200 mil suínos, abastecendo rotas logísticas com biometano. A codigestão com volumosos, como silagem de sorgo, é outro passo importante. “A suinocultura vai surfar essa nova onda, sem dúvida alguma”, avaliou.

Everton Luiz Krabbe apresentou um panorama da suinocultura na COP30 (Fotos: CNA/SENAR)

Gestão ambiental de precisão

Krabbe também destacou a evolução das tecnologias para regiões com pouca área agrícola, incluindo o sistema Sistrates, patenteado pela Embrapa. A ferramenta separa nutrientes, trata água e permite o reuso, diminuindo impactos ambientais. “Tudo isso é tecnologia construída ao longo dos anos — e isso tudo é sustentabilidade”, reforçou.

Na esfera regulatória, o pesquisador explicou a adoção de novas plataformas de dimensionamento ambiental, que substituem cálculos antigos por análises específicas de solo, cultura e capacidade de suporte. “Hoje conseguimos conectar a granja com o ambiente onde ela está inserida de forma muito mais eficiente”, disse.

Emissões e pegada de carbono: o novo capítulo

A integração de dados ambientais na calculadora ABC+ do Ministério da Agricultura representa, segundo Krabbe, um marco recente para a cadeia. Ele destacou que o Brasil finalmente caminha para gerar seus próprios fatores de emissão, substituindo tabelas internacionais que não refletem a realidade nacional.
“Os números preliminares são surpreendentes. Os nossos resultados são melhores do que os das grandes potências produtoras de grãos”, afirmou.

Entre as razões para esse desempenho, o pesquisador citou práticas que tornam o país referência: plantio direto desde os anos 1980, alto uso de bioinsumos e intensificação sustentável da terra. “Terra ocupada por vegetação captura CO₂. Quantos países fazem duas colheitas por ano?”, questionou.

Um dos alertas mais contundentes do palestrante foi sobre disponibilidade hídrica. “A água é, sem sombra de dúvidas, o grande desafio da suinocultura — e de qualquer atividade”, afirmou. Segundo ele, sistemas de armazenamento de chuva, gestão de consumo e repensar construções que demandam alto volume são temas urgentes e inevitáveis.

Nutrição e eficiência: pequenas mudanças, grandes impactos

A alimentação, responsável por até 65% da pegada de carbono na suinocultura, é outro eixo decisivo. Ajustes aparentemente simples — como o grau correto de moagem dos grãos — podem reduzir até 15 kg de ração por animal. “Moer um grão adequadamente é um procedimento simples e definido na década de 80. E ainda hoje vemos dificuldade para fazer isso”, destacou.

Krabbe apresentou ainda tecnologias portáteis que fazem análises químicas instantâneas dos ingredientes, permitindo ajustes em tempo real via inteligência artificial. “Produzimos o alimento e já analisamos. Isso é sustentabilidade na prática”, disse.

O uso de enzimas em dietas também trouxe ganhos relevantes, reduzindo excreções minerais e melhorando o aproveitamento dos nutrientes. “Estamos falando de 50 gramas por tonelada de alimento que mudam completamente o cenário”, relatou.

O pesquisador apontou tendências emergentes, como o crescimento do sorgo — cereal mais resiliente a extremos climáticos — e do DDGS, coproduto do etanol que já ganha espaço no Brasil. “Há dez anos, nós nem imaginávamos essa oferta. Hoje é uma realidade”, comentou.

Krabbe também reforçou que sustentabilidade envolve mais que meio ambiente: inclui bem-estar, saúde e uso responsável de antibióticos. “Nós precisamos cuidar bem dos nossos animais. O consumidor deseja isso — e isso traz melhores resultados”, afirmou.

Ele destacou o avanço do Brasil em temas sanitários, lembrando conquistas como a ausência histórica de PIRS e a erradicação da peste suína africana desde 1984. Um novo aplicativo da Embrapa orienta produtores a fortalecer a bioseguridade. “Tem que ser simples. Cinco ou seis cliques no celular — e está feito. É isso que o sistema produtivo precisa”, reforçou.

Ao final, Krabbe destacou que sustentabilidade depende dos “quatro Ps”: Planeta, Porco, Pessoas e Parte econômica. “Se um desses Ps não parar em pé, todos caem. Sustentabilidade não é só emissão de gases; é muito mais que isso”, concluiu.

A apresentação reforçou a mensagem central da COP30: a suinocultura brasileira é tecnificada, evoluída e baseada em ciência — e tem condições concretas de liderar práticas sustentáveis globalmente.

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