A elevada disponibilidade de carne de frango no mercado brasileiro continuou limitando a recuperação das cotações em agosto. Segundo o Agro Mensal de setembro, do Itaú BBA, a ave inteira congelada no atacado paulista teve média de R$ 7,19 por quilo, queda de 0,3% frente a julho e de 1,2% na comparação anual.
O cenário reflete principalmente o crescimento da produção. No primeiro semestre, o volume produzido aumentou 6,1% sobre igual período de 2025, enquanto o maior peso das carcaças ampliou a quantidade de carne disponível. Dados preliminares de julho também apontaram alta de 4,4% nos abates, levando a oferta interna a ficar cerca de 9% acima da registrada um ano antes.
Mercado externo absorve parte da produção
Enquanto o consumo doméstico não acompanha o mesmo ritmo da oferta, as exportações ajudam a reduzir a pressão sobre o mercado interno.
Pela base utilizada pelo Itaú BBA, os embarques chegaram a 480 mil toneladas em agosto, avanço de 25,6% sobre o mesmo mês de 2025 e recuo de 5,1% frente a julho. Entre janeiro e agosto, o crescimento acumulado foi de 17,1%.

Já a ABPA, em levantamento que considera todos os produtos, registrou 492,6 mil toneladas exportadas em agosto, alta anual de 24,8%, com crescimento acumulado de 15,5% no ano.
Margem doméstica perde espaço
O contraste também aparece nos indicadores de rentabilidade. Segundo o Itaú BBA, o spread das exportações permaneceu próximo de 46% em agosto, cerca de três pontos percentuais acima da média dos últimos cinco anos. No mercado doméstico, a diferença entre preço da ave abatida e custo de produção recuou de 36% para 32% em um ano.
Na primeira semana de setembro, as cotações reagiram cerca de 4%, apoiadas pela competitividade do frango frente à carne bovina e pela proximidade do período de maior consumo.
Para a consultoria, uma valorização mais consistente dependerá de ajuste na oferta doméstica ou de expansão adicional das exportações. No curto prazo, milho e farelo de soja ainda ajudam a manter os custos controlados, mas o risco climático para as safras de 2027 permanece no radar.



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