Entre abril e junho de 2026, a oferta de carne de frango no mercado brasileiro somou 2,25 milhões de toneladas, segundo cálculos divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em 28 de agosto. Foi o maior volume trimestral desde os últimos três meses de 2025.
O indicador representa a disponibilidade direcionada ao mercado doméstico, e não a produção total do País. A alta ocorreu mesmo com exportações recordes de 2,9 milhões de toneladas de carne de frango, entre produtos in natura e processados, no primeiro semestre de 2026.

Restrições afetaram embarques
Em 15 de maio de 2025, o Brasil confirmou o primeiro foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em uma granja comercial, localizada em Montenegro (RS). O episódio levou países importadores a adotarem restrições totais ou regionais aos produtos avícolas brasileiros.
Os bloqueios não tiveram a mesma abrangência nem terminaram simultaneamente. Enquanto alguns mercados suspenderam as compras de todo o Brasil, outros limitaram as medidas ao Rio Grande do Sul ou ao município afetado. Segundo o Cepea, as restrições elevaram a disponibilidade interna no segundo e no terceiro trimestre daquele ano.

Proteína suína ganha espaço
Em 2026, a oferta elevada voltou a pressionar os preços da carne de frango. O Cepea aponta que a proteína avícola perdeu competitividade diante da carne suína, comercializada em patamares historicamente baixos. Essa relação reduz o ritmo das negociações e dificulta o escoamento no mercado doméstico.
Demanda pode enfraquecer
Para os próximos meses, as estimativas indicam manutenção de um ritmo elevado de produção. No fim do ano, cortes tradicionais de frango podem perder espaço para aves natalinas e produtos suínos.
A possibilidade de nova pressão sobre os preços dependerá do ritmo de abate, das exportações e da capacidade de absorção do mercado interno. Portanto, o enfraquecimento adicional da demanda é uma projeção, e não um resultado confirmado.



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