Um estudo publicado em 12 de agosto de 2026 no The Journal of Immunology mostrou que o butirato de sódio reprogramou macrófagos de galinhas e aumentou sua capacidade de eliminar bactérias em ensaios laboratoriais. O trabalho reuniu pesquisadores das universidades de Bristol e Surrey e do Instituto Pirbright, no Reino Unido.
O composto utilizado é a forma salina do butirato, ácido graxo de cadeia curta produzido por bactérias intestinais. Os cientistas investigaram se a exposição durante o desenvolvimento dos macrófagos poderia fortalecer sua resposta posterior a patógenos, diante do avanço da resistência antimicrobiana.
Efeito depende do desenvolvimento
Macrófagos derivados da medula óssea foram expostos ao butirato de sódio durante 96 horas, ainda na fase inicial de diferenciação. Os pesquisadores também utilizaram a linhagem celular de galinha HD11.
Após o tratamento, as células apresentaram maior capacidade de eliminar internamente Escherichia coli patogênica aviária, Salmonella Typhimurium, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. Macrófagos completamente diferenciados, entretanto, não responderam da mesma maneira, indicando uma janela específica para a reprogramação.

Mecanismo celular
A atividade bactericida foi associada ao aumento das espécies reativas de oxigênio, utilizadas pelas células contra microrganismos, e da autofagia, processo que ajuda a capturar e degradar agentes invasores. Quando esses mecanismos foram inibidos, o ganho bactericida caiu aos níveis observados nas células não tratadas.
“Nossos resultados sugerem que a imunidade treinada existe em um espectro de fenótipos muito mais amplo do que se pensava anteriormente”, afirma Shahriar Behboudi, professor da Universidade de Bristol e autor sênior da pesquisa.
Aplicação exige novos testes
O estudo não administrou butirato de sódio a aves vivas. Portanto, não avaliou dose em ração ou água, segurança, desempenho produtivo, ocorrência de doenças ou consumo de antibióticos nas granjas.
Os resultados ainda não sustentam um protocolo comercial nem a substituição de medicamentos. Estudos in vivo serão necessários para verificar se a resposta celular pode ser reproduzida nos plantéis.
A pesquisa recebeu financiamento do Conselho de Pesquisa em Biotecnologia e Ciências Biológicas e do British Egg Marketing Research and Education Trust.



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