Em atualização trimestral publicada em 27 de julho, o analista internacional John Strak avaliou que os preços da carne suína devem permanecer pressionados no segundo semestre de 2026. O cenário combina oferta elevada em mercados relevantes, consumo enfraquecido e incertezas econômicas e comerciais.
Estados Unidos mantêm produção estável
Nos Estados Unidos, o rebanho somava 73,7 milhões de suínos em 1º de junho, praticamente estável na comparação anual. Desse total, 67,8 milhões eram animais destinados ao mercado e 5,88 milhões compunham o plantel reprodutor. Os números indicam que os produtores ainda não iniciaram um movimento claro de expansão ou redução da atividade.
A menor quantidade de matrizes tem sido compensada pelos ganhos de produtividade. Entre março e maio, os produtores norte-americanos desmamaram, em média, 11,87 leitões por leitegada. A demanda externa pode ajudar a sustentar as cotações, mas margens reduzidas e custos elevados tendem a limitar decisões futuras de produção.
Europa enfrenta queda nas cotações
Na União Europeia, os preços médios continuaram recuando durante o segundo trimestre. O mercado enfrenta dificuldades nas exportações e desequilíbrio entre oferta e demanda. Segundo Strak, a média europeia registrava queda próxima de 24% em junho frente ao mesmo período de 2025.

As restrições sanitárias aplicadas a alguns países exportadores também reduziram as possibilidades de escoamento. Com mais carne disponível no mercado interno, produtores e entidades do setor passaram a solicitar medidas de apoio em diferentes países europeus.
Produção chinesa limita importações
Na China, o volume interno segue dificultando a recuperação dos preços. O país aumentou em 3,3% sua produção de carne suína no primeiro semestre e encerrou junho com 424,91 milhões de animais no rebanho. A maior disponibilidade reduz a necessidade de importações e amplia a disputa entre fornecedores.
As autoridades chinesas passaram a estimular a redução da capacidade produtiva, o controle da engorda secundária e a diminuição dos pesos de abate. Entretanto, os efeitos dessas medidas devem aparecer gradualmente.
Para Strak, o ciclo mundial permaneceu em fase negativa durante todo o primeiro semestre. Sem redução consistente da oferta ou recuperação relevante do consumo, as cotações devem continuar fracas até o fim do ano.



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