Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
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O que o frango come? Como a nutrição influencia a produção da carne mais consumida pelos brasileiros

A alimentação das aves reúne ciência, tecnologia e manejo para melhorar o desempenho dos animais e a eficiência da produção.

Presente no prato dos brasileiros em diferentes refeições, a carne de frango está entre as proteínas mais consumidas no país. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o consumo per capita da proteína foi estimado em 46,7 quilos por habitante em 2025.

Antes de chegar às gôndolas dos supermercados, porém, o frango passa por uma cadeia produtiva que envolve uma série de fatores. Manejo, sanidade, ambiente de criação, tecnologia e, especialmente, nutrição estão entre os elementos que influenciam o desenvolvimento das aves e os resultados da produção.

E alimentar um frango está longe de significar apenas oferecer ração. A formulação da dieta envolve a seleção de ingredientes, o equilíbrio de nutrientes e o acompanhamento do desempenho dos animais.

“Quando falamos em nutrição animal, estamos falando de uma série de decisões que impactam o desempenho das aves e os resultados da produção”, explica Juliana Vieira Marques de Souza Pereira Batista, líder de tecnologia para aves da Cargill Nutrição e Saúde Animal.

A evolução da nutrição acompanha as transformações da avicultura, com maior uso de conhecimento científico, monitoramento e ferramentas tecnológicas. Cinco pontos ajudam a entender esse cenário.

1. Nutrição vai além da ração

A quantidade de ração fornecida é apenas uma parte da equação. A nutrição das aves envolve a escolha dos ingredientes, a combinação adequada de nutrientes e o acompanhamento dos resultados obtidos ao longo da produção.

Um dos equívocos, segundo Juliana, é considerar que a alternativa de menor custo é necessariamente a mais eficiente. O objetivo da nutrição é atender às necessidades dos animais e contribuir para seu desenvolvimento e desempenho.

Na prática, isso significa avaliar a dieta não apenas pelo preço dos ingredientes, mas também pela capacidade de fornecer os nutrientes necessários para as diferentes fases da criação.

Com mais informações disponíveis, as decisões podem ser ajustadas às características de cada sistema de produção e às condições observadas nos lotes.

2. Saúde intestinal ganha espaço nas estratégias de produção

O intestino tem papel central no aproveitamento dos nutrientes. É nesse sistema que ocorre boa parte dos processos de digestão e absorção que fornecem energia e nutrientes para o desenvolvimento das aves.

Por isso, a saúde intestinal passou a ocupar posição cada vez mais relevante na produção avícola. Conceitos como microbiota, probióticos e qualidade dos ingredientes, antes mais restritos ao ambiente acadêmico, hoje fazem parte das estratégias adotadas no campo.

“Hoje há menos tolerância para erro. Pequenas alterações podem afetar o consumo de alimento e o desempenho dos lotes”, afirma Juliana.

O acompanhamento da saúde intestinal, portanto, está relacionado não apenas à condição dos animais, mas também à eficiência do sistema produtivo.

3. Dados e inteligência artificial entram na tomada de decisão

A digitalização também chegou à nutrição animal. Ferramentas de análise de dados, inteligência artificial e modelos de previsão podem ajudar produtores e equipes técnicas a identificar padrões, acompanhar o comportamento dos animais e antecipar possíveis desafios.

Com mais informações disponíveis, as decisões podem ser ajustadas às características de cada sistema de produção e às condições observadas nos lotes.

O desafio, entretanto, não está apenas em coletar dados. É preciso transformar essas informações em conhecimento que possa orientar decisões práticas e contribuir para a eficiência da produção.

4. Nutrição depende de toda a cadeia produtiva

A alimentação das aves não pode ser analisada de forma isolada. Sanidade, manejo, ambiente de criação e objetivos de produção também interferem no desempenho dos animais.

Por isso, as decisões relacionadas à nutrição envolvem cada vez mais a integração entre diferentes profissionais e áreas da cadeia produtiva.

Essa atuação conjunta permite avaliar os resultados de maneira mais ampla e buscar maior consistência ao longo do processo de produção.

5. Não existe uma fórmula única

Mesmo com a evolução das ferramentas de nutrição, não há uma solução única capaz de determinar o desempenho de um lote.

Qualidade da água, manejo, conforto térmico, condições de criação e sanidade também precisam ser considerados. O resultado depende da interação entre esses fatores.

Quando nutrição, manejo, ambiente e sanidade são trabalhados de forma integrada, o sistema produtivo tem mais condições de alcançar eficiência e manter o desempenho das aves.

Da ração ao prato

A carne de frango que chega às prateleiras dos supermercados é resultado de um processo que começa muito antes da indústria. A alimentação das aves integra uma cadeia que combina conhecimento técnico, ciência, tecnologia e acompanhamento constante.

Mais do que saber que o frango come ração, entender como essa alimentação é planejada ajuda a revelar uma parte importante da complexidade por trás de uma das proteínas mais presentes na mesa dos brasileiros.

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