Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O mercado de grãos no Brasil encerrou o mês de agosto em ritmos distintos para milho e soja, segundo os levantamentos mais recentes do Cepea. Para o milho, apesar da escassez de negociações pontuais no mercado spot, os preços permanecem firmes, com o Indicador ESALQ/BM&FBovespa na região de Campinas (SP) oscilando entre R$ 63 e R$ 64 por saca de 60 kg ao longo de agosto — nível que sinaliza estabilidade diante da proximidade do fim da colheita da segunda safra e o início da semeadura da primeira temporada no Sul do País.
No campo, produtores limitam a oferta, apostando em valorização do grão. Muitos optam por armazenar os lotes, confiantes de que a pressão de venda diminuirá com o fim da colheita, e a demanda, por sua vez, recua diante dos estoques já assegurados e dos preços considerados elevados por compradores que buscam alimento de curto prazo. Ao mesmo tempo, a expectativa de estoques de passagem elevados, sustentada pela produção nacional robusta, reforça a cautela dos compradores.
Em contraste, o mercado de soja apresentou um ritmo de negócios enfraquecido ao final de agosto. O Cepea aponta que tanto a proximidade da colheita da safra 2025/26 no Hemisfério Norte quanto as expectativas de avanço de um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China têm diminuído as exportações brasileiras, afastando potenciais compradores. Além disso, a desvalorização do dólar frente ao real tornou o grão menos competitivo no exterior, pressionando as cotações domésticas.

Esse contraste evidencia a dinâmica complexa do agronegócio brasileiro: o milho segue influenciado pela entrega da safra e comportamento cauteloso dos agentes, enquanto a soja sofre com fatores globais e cambiais, que impactam diretamente sua atratividade comercial.
Diante desse cenário, os agentes do setor apontam para a necessidade de estratégias diferenciadas: quem produz milho vê na armazenagem e na negociação com prazos flexíveis possibilidades de mitigar a pressão de oferta; enquanto os detentores de soja aguardam melhores condições de mercado com reativação das exportações e eventual recuperação do câmbio — fatores que deverão nortear os próximos movimentos de preço.
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