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Microbiota: o “aliado invisível” que pode transformar a saúde dos suínos

Durante o Encontro Técnico da ABRAVES-SP, na USP de Pirassununga, a professora Luisa Zanolli Moreno destacou como o equilíbrio microbiano é decisivo para prevenir doenças e garantir produtividade nas granjas.

Caroline Mendes, de Pirassununga (SP)

A microbiota pode ser determinante para o sucesso sanitário e produtivo da suinocultura. Foi o que ressaltou a professora Luisa Zanolli Moreno, médica-veterinária e docente da Unesp de Jaboticabal, durante sua palestra no Encontro Técnico da ABRAVES-SP, realizado nesta terça-feira (9), na USP de Pirassununga.

Com o tema “Relação entre doenças e microbiota: o que o técnico precisa saber”, a especialista destacou que ainda há uma tendência no campo de focar exclusivamente nos patógenos quando surgem problemas de saúde nos planteis. “Muitas vezes esquecemos que o equilíbrio da microbiota é uma barreira natural contra infecções”, alertou.

Segundo ela, o conceito de eubiose — equilíbrio da microbiota — está diretamente relacionado à manutenção da saúde animal, enquanto a disbiose representa um estado de desequilíbrio que favorece a proliferação de patógenos já presentes no organismo. “Se consigo manter a microbiota diversa e funcional, tenho mais chances de evitar doenças e reduzir a necessidade de intervenções curativas”, explicou.

Luisa apresentou quatro mecanismos principais pelos quais a microbiota protege os animais: barreira física contra patógenos, produção de metabólitos protetores, modulação do pH intestinal e estímulo ao sistema imunológico. Esses fatores, segundo ela, tornam a microbiota um sistema bioativo com impacto que vai além do intestino, influenciando também a imunidade e até a saúde respiratória dos suínos.

“Não adianta querer tratar a doença se não cuidamos da microbiota. É preciso enxergar o suíno de forma integrada, unindo nutrição, imunidade, genética e sanidade para explorar todo o seu potencial produtivo” – professora Luisa Zanolli Moreno, médica-veterinária e docente da Unesp de Jaboticabal

A professora também alertou para fatores que podem levar à disbiose, como mudanças bruscas de dieta, excesso de proteína não digerida, falhas de manejo, estresse térmico e social, além do uso inadequado de antimicrobianos. “Sempre que a diversidade microbiana é reduzida, perdemos funcionalidade protetora, favorecendo recidivas e infecções mais graves”, observou.

Para ela, a chave está na prevenção. “Intervenções preventivas ainda são mais eficientes e viáveis economicamente do que tratar as consequências da disbiose. Precisamos ampliar nossas práticas de monitoria, olhando além da detecção de patógenos e avaliando também a composição da microbiota”, defendeu.

Ao final, Luisa deixou uma reflexão: “Não adianta querer tratar a doença se não cuidamos da microbiota. É preciso enxergar o suíno de forma integrada, unindo nutrição, imunidade, genética e sanidade para explorar todo o seu potencial produtivo”.

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