A presença de 85% de concentrado na dieta de bovinos confinados tem causado distúrbios digestivos frequentes, como acidose e inflamações ruminais, que impactam tanto o desempenho quanto a qualidade da carne. Para mitigar esses efeitos e manter a produtividade, a MFG Agropecuária — maior grupo de confinamento do Brasil — vem adotando um programa focado no conceito de bem-estar nutricional.
A proposta, aplicada em todas as unidades da empresa distribuídas pelos estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, visa garantir saúde ruminal e desempenho zootécnico com o uso de ingredientes e aditivos naturais. “Não é só ambiência, estrutura, manejo e lida apropriados que ajudam os animais a estarem em seu estado de conforto. Tudo aquilo oferecido via cocho impacta o bem-estar animal”, explica Adriano Umezaki, gerente técnico de Nutrição da MFG Agropecuária.
Entre os principais problemas enfrentados com dietas altamente concentradas está a acidose, causada pela fermentação excessiva no rúmen. O ácido gerado inflama as células responsáveis pela absorção de nutrientes, comprometendo a deposição de marmoreio e, em casos mais avançados, abrindo caminho para infecções sistêmicas. “Podemos definir o bem-estar nutricional como o uso de estratégias nutricionais que permitam o máximo desempenho no confinamento sem prejudicar a saúde dos animais”, completa Adriano Umezaki.
No programa nutricional adotado pela MFG, suplementos naturais certificados auxiliam na digestibilidade dos concentrados. Óleos essenciais de mamona e castanha de caju, além de blends de carvacrol e capsaicina, são utilizados para controlar o pH ruminal e prevenir quadros de inflamação e doenças digestivas. Enzimas como xilanase, B-glucanase e celulase são incorporadas para acelerar a digestão.

A substituição dos ionóforos por extratos vegetais com taninos e saponinas como promotores de crescimento também integra a estratégia nutricional, o que contribui para a redução da emissão de metano entérico em até 17%.
A dieta é complementada com gordura protegida e natural — presente em ingredientes como soja, arroz, algodão e seus coprodutos — além de vitaminas, leveduras, silicatos e outros ativos com função imunomoduladora e termorregulatória. Essas ações permitiram à MFG Agropecuária alcançar índices médios de ganho médio diário (GMD) entre 1.660 g e 2 kg por animal, especialmente entre novilhos filhos de touros selecionados pelo Índice Frigorífico.
A unidade de Tangará da Serra (MT) obteve recentemente o selo FairFood, que reconhece a adoção de práticas alinhadas à sustentabilidade e ao bem-estar animal — incluindo as ações nutricionais implantadas.
Fonte: MFG Agropecuária, adaptado pela equipe FeedFood
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