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72% da cobertura de pastagem é escassa ou preocupante. Lotação fica em 0,93 ua/ha

Saem os primeiros dados do mapeamento da pecuária no Nordeste. 79,8% das fazendas suplementam em algum momento. 4,4% não possuem Internet

Ariosto Mesquita – de Maceió, especial para a Feed&Food

Os dados consolidados da primeira Expedição Encorte – que na edição 2025 fez uma radiografia da pecuária nos estados de Sergipe, Alagoas e sul de Pernambuco – podem provocar euforia ou preocupação, dependendo do ponto de vista de cada um. Das 122 fazendas visitadas e participantes do levantamento, por exemplo, 4,4 % não possuem Internet. Isso representaria algo como cinco estabelecimentos. O problema é que, estatisticamente, esta amostra representa um universo de 82 mil propriedades, ou seja, 3.608 estariam hoje isoladas digitalmente em uma região que reúne 1,6 milhão de bovinos (83% com aptidão para corte), 1,5 milhão de hectares de pastagens e que movimenta R$ 4,8 bilhões/ano, somando 400 mil famílias envolvidas na produção de alimentos. 

É bom observar que, neste caso, não estão inclusos sítios, chácaras ou pequenas glebas. O levantamento técnico foi concentrado a partir das 5.507 fazendas com áreas iguais ou superiores a 50 hectares. “A fatia de 4,4% é pequena, mas representativa”, observa o engenheiro agrônomo André Sório, da “Pastoreio de Precisão”, consultoria especializada em processamento de dados em medições por satélite, responsável pelo fechamento destes primeiros números.

A região mapeada (grande parte dentro da SEALBA – organização territorial com termo cunhado a partir das siglas dos estados de Sergipe, Alagoas e Bahia) é considerada homogênea no aspecto de clima, relevo, atividades produtivas, solo, integração econômica e populacional. Em 15 dias, a expedição percorreu mais de 120 propriedades (122 entraram na contabilização de dados – que ainda podem passar por pequenos ajustes). 

Região mapeada da SEALBA é considerada homogênea (Foto: Ariosto Mesquita)

Buscou-se desenhar o potencial das propriedades em cinco pilares: pastagem, rebanho, gestão, bem-estar animal e sustentabilidade. Além disso, tenta entender as diferenças de interação na cadeia produtiva entre os elos de produção pecuária e industrialização da carne. Outros dados chamam a atenção. No levantamento sobre cobertura de pastagem, 30% das propriedades apresentaram uma condição “escassa” e 42% “preocupante”. A equipe de “Pastoreio de Precisão” observa que os dados foram colhidos entre abril e maio, final do período seco na região, quando a oferta forrageira tende a ser mais baixa.

No aspecto de nutrição 79,8% das fazendas declararam suplementar em algum momento do ano. Na reprodução, 63,2% informaram usar IATF (inseminação artificial em tempo fixo). Enquanto isso, a taxa de lotação média ficou em 0,93 ua (unidade animal)/ha, “coincidentemente igual à média brasileira divulgada pela Beef Report 2024/ABIEC”, observa Marcelo Araújo diretor da Start Soluções no Agronegócio, idealizador e organizador da Expedição Encorte. Esta lotação indica que cada hectare de terra abriga menos de 450 kg de peso vivo animal (bovino).

“A cada ano vamos mapear regiões diferentes do Nordeste, com equipes distintas. Assim, formataremos um grande banco de dados e teremos a real dimensão de nossa bovinocultura de corte”, sinaliza Araújo, que apresentou os números desta edição da Expedição Encorte durante workshop realizado em Maceió (AL), dias 16 e 17 de maio. Detalhes sobre este trabalho pioneiro de levantamento de dados sobre a pecuária nordestina estarão na edição de junho da Revista Feed&Food.

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