Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O mercado global de carne suína atravessa um momento de dualidade no terceiro trimestre de 2025. Por um lado, a queda nos preços dos grãos, como o milho, traz um alívio significativo aos custos de produção, melhorando as margens e a rentabilidade dos produtores. Por outro, a instabilidade geopolítica, as persistentes ameaças de doenças e a acirrada concorrência com outras proteínas, notadamente a de frango, criam um ambiente de incerteza que desafia o comércio internacional, conforme aponta a mais recente análise trimestral do Rabobank.
A saúde do rebanho permanece como uma preocupação central em escala mundial. A Peste Suína Africana (PSA) continua a se espalhar por partes da Ásia e da Europa, enquanto o vírus da síndrome respiratória e reprodutiva suína (PRRS) compromete a produtividade na América do Norte e na Espanha. Esses surtos recorrentes não apenas ameaçam a produção, mas também carregam o risco iminente de barreiras comerciais, como as que recentemente causaram grandes prejuízos financeiros na Alemanha.
No campo comercial, as tensões entre Estados Unidos e China seguem reverberando por todo o setor. Embora a China tenha diminuído suas importações de carne suína dos EUA, a manutenção de tarifas sobre miúdos americanos continua a impactar os fluxos comerciais. Essa dinâmica, somada ao crescimento expressivo das exportações do Brasil e a um modesto aumento nos embarques europeus, intensifica a competição global por novos mercados.
O Brasil, em particular, consolida-se como um protagonista nesse cenário. As exportações brasileiras de carne suína atingiram níveis recordes no primeiro semestre de 2025, com um impressionante aumento de 18% em volume. As Filipinas emergiram como o principal destino, superando a China e demonstrando a diversificação dos mercados para o produto nacional. A forte demanda externa, aliada à queda nos custos de produção, tem mantido as margens dos produtores brasileiros robustas, mesmo diante de uma demanda interna aquecida.

Enquanto isso, a América do Norte enfrenta uma oferta apertada, elevando os preços dos suínos a patamares históricos. Essa alta, no entanto, prejudica a competitividade das exportações americanas, que registram queda. Na Europa, a produção cresceu no início de 2025, impulsionada pela Espanha, mas a recente confirmação de PSA em javalis na Alemanha acende um alerta máximo no setor pelo risco de novas restrições comerciais. Já a China, com o aumento de sua produção local, vê os preços internos caírem, mas ainda mantém uma demanda relevante por produtos importados para equilibrar seus estoques.
Olhando para o futuro, o Rabobank projeta que os preços da carne suína devem se manter acima dos níveis de 2024, sustentando a rentabilidade do setor. A demanda dos consumidores tende a permanecer estável, com a carne suína se beneficiando dos preços ainda elevados da carne bovina. Contudo, o setor precisará navegar com atenção as políticas comerciais globais e os constantes riscos sanitários. A valorização do real brasileiro também é um ponto de atenção, pois sua trajetória poderá redefinir a competitividade do Brasil no mercado de exportação.
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