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Mercado do boi gordo em fevereiro

Exportação começa 2024 com bom desempenho e boas perspectivas no radar
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Foto: reprodução

O mercado do boi gordo esteve calmo em janeiro.

O quadro foi de vendedores retraídos e de compradores pouco ativos. Os preços praticamente não andaram em São Paulo até a última semana de janeiro, apesar da pressão exercida pela ponta compradora.

Com uma demanda por carne bovina mais fraca e com a retomada dos vendedores aos negócios, os preços cederam no fechamento do mês.

No mercado físico do boi gordo em São Paulo, a cotação de todas as categorias caiu em janeiro, com exceção do “boi China”. O boi comum encerrou o mês negociado em R$240,00/@, a vaca gorda em R$212,00/@ e a novilha gorda em R$230,00/@, preços brutos e a prazo.

Com esse movimento, o ágio entre o “boi China” e o boi comum terminou em R$10,00/@, quadro que não ocorria desde outubro/23. A exportação está aquecida e colaborou com esse cenário. Veja na figura 1.

Figura 1. Cotação do boi gordo, em R$/@, preços brutos e a prazo, em São Paulo.

Foto: reprodução

Exportação começa 2024 com bom desempenho e boas perspectivas no radar

Os embarques de carne bovina in natura nos últimos meses de 2023 foram bons, acima da média.

Em dezembro a exportação foi recorde considerando um único mês e, no ano, foram exportados 2,0 milhões de toneladas, 0,7% maior que em 2022 – recorde.

A virada do ano não alterou esse ritmo. Até a quarta semana de janeiro foram exportadas 168 mil toneladas de carne bovina in natura —recorde para os meses de janeiro.

A cotação da carne exportada, porém, caiu e terminou 2023 em US$4,73 mil/t e em janeiro o preço não mudou.

A demanda externa por carnes deverá continuar firme em 2024, com o Brasil aumentando a participação no mercado internacional. Nos Estados Unidos, o rebanho bovino é o menor dos últimos 73 anos (USDA) e o preço da carne por lá deve seguir firme.

No início de janeiro o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) atualizou as projeções para a produção e comércio de carnes bovina, suína e de frango. Olharemos aqui, apenas para a carne bovina.

Segundo o USDA, a exportação global de carne bovina deverá aumentar 1,3%, passando de 11,9 milhões de toneladas equivalente carcaça (tec.) para 12,1 milhões.

Os Estados Unidos devem reduzir em 7,6% a exportação de carne bovina, segunda queda consecutiva em volume. Paralelamente, as importações devem aumentar 1,7% em 2024, aumento de 9,4% em 2023.

Mercado do boi gordo e o carnaval. O boi participará da folia?

Historicamente, o abate de bovinos é sazonalmente menor em fevereiro. E o preço? Historicamente, em termos nominais, é maior. Veja na figura 3.

Figura 3. Variação (%) no preço nominal do boi gordo, em São Paulo, e dos abates de bovinos, em fevereiro, frente a janeiro.

Foto: reprodução

O comportamento da cotação do boi gordo em fevereiro, considerando São Paulo, é, na maior parte dos anos, de alta frente a janeiro. Nos anos de retração, como aconteceu em 2012, 2017 e 2018, o comportamento baixista foi comedido.

Ou seja, se a história se repetir, não deveremos ter fortes movimentações em fevereiro, em relação aos preços vigentes no começo de 2024.

Mas o que explica esse movimento?

Em fevereiro há, sazonalmente, maior capacidade de suporte das pastagens no Brasil Central, com a safra de capim – desconsiderando os efeitos do clima no ano-safra. Isso permite maior poder de barganha dos pecuaristas Brasil afora, permitindo que a oferta seja cadenciada.

Há a expectativa de que, em fevereiro, mais plantas sejam habilitadas para exportarem à China. Se isso se confirmar, deveremos ver um mercado sustentado, com o produtor cujas pastagens permitirem, retendo a oferta em um momento com acréscimo de compradores dispostos a adquirir boiadas jovens.

Com a exportação aquecida neste início de ano, perspectiva de maior participação brasileira no mercado internacional e uma oferta cadenciada, o quadro, em fevereiro, poderá ser favorável à cotação da arroba do boi. É esperar, para ver.

Fonte: Scot Consultoria.

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