As negociações envolvendo produtos do complexo soja começam a ganhar mais ritmo no mercado brasileiro neste período de avanço da colheita. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), embora o aumento das transações seja típico da época de entrada da safra, observa-se também uma ampliação das relações comerciais com países que tradicionalmente demandavam menos soja brasileira.
O Brasil já concentra uma parcela significativa da oferta mundial neste momento do calendário agrícola, o que naturalmente aumenta o interesse internacional pelo produto. Esse movimento pode se intensificar ainda mais diante das incertezas geopolíticas no Oriente Médio, que podem redirecionar parte da demanda global para o mercado brasileiro.
De acordo com projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil deve ser responsável por atender cerca de 61% da demanda mundial por soja neste ciclo, consolidando sua posição como principal fornecedor global da oleaginosa.

Especialistas apontam ainda que o cenário internacional pode trazer impactos indiretos sobre os custos logísticos. O possível fechamento do estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo, levanta especulações sobre aumento no preço dos combustíveis, o que poderia encarecer o transporte rodoviário.
Esse fator ganha relevância no Brasil justamente em um momento de grande movimentação logística. O fluxo de caminhões aumenta durante o período de colheita e escoamento da soja, o que já tem pressionado o valor do frete em diversas regiões produtoras.
Diante do avanço nos custos de transporte, que tende a reduzir a remuneração líquida dos produtores, parte dos agentes do mercado tem intensificado as vendas da oleaginosa. Esse movimento tem contribuído para elevar a liquidez no mercado spot nacional.
Além disso, o ritmo das negociações também tem sido impulsionado pela proximidade do vencimento de compromissos financeiros de produtores e pela recente valorização cambial, fatores que estimulam a comercialização neste momento da safra.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
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