A forte dependência de fertilizantes importados ainda representa um dos principais pontos de vulnerabilidade do agronegócio brasileiro. Embora o país seja um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, a maior parte dos insumos essenciais para a produção agrícola vem do exterior.
Atualmente, mais de 80% dos fertilizantes utilizados nas lavouras brasileiras são importados. No último ano, o país trouxe de outros mercados cerca de 45,5 milhões de toneladas desses produtos, fundamentais para garantir produtividade e estabilidade nas colheitas.
Na prática, essa dependência expõe o setor às oscilações da economia global. Variações cambiais, conflitos internacionais e mudanças nas políticas comerciais podem impactar diretamente o acesso aos insumos e o custo de produção no campo.
Entre os principais fornecedores do Brasil estão China e Rússia, responsáveis por parcela significativa das exportações de fertilizantes para o país. Esses produtos incluem nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos como NPK, indispensáveis para o desenvolvimento das lavouras.

A dependência externa também torna o setor sensível a tensões geopolíticas. Conflitos em regiões estratégicas, como no Oriente Médio ou no Leste Europeu, podem gerar restrições logísticas, aumento de preços e dificuldades no abastecimento de fertilizantes.
Para reduzir esse cenário de vulnerabilidade, o governo brasileiro estruturou um plano nacional voltado à ampliação da produção interna de fertilizantes. A meta é diminuir a dependência de importações nas próximas décadas, ampliando a capacidade produtiva do país até 2050.
Hoje, cerca de 60 empresas atuam na produção nacional desses insumos, mas ainda atendem apenas cerca de 15% da demanda interna. Esse desequilíbrio reforça a necessidade de investimentos em tecnologia, mineração de nutrientes e desenvolvimento industrial.
Além das iniciativas governamentais, pesquisas conduzidas por instituições e produtores buscam alternativas para ampliar a autonomia do país. O desenvolvimento de novos fertilizantes e o uso mais eficiente dos nutrientes são apontados como caminhos para fortalecer a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro.
Fonte: Adaptado pela equipe Feed&Food
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