O setor avícola brasileiro encerrou fevereiro com desafios para o mercado de frango e ovos. Enquanto a valorização do milho reduziu o poder de compra dos avicultores, pressionando a rentabilidade da produção de frangos, a baixa oferta de ovos contribuiu para a sustentação dos preços no início da Quaresma, período historicamente favorável ao consumo da proteína.
De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o poder de compra dos avicultores paulistas frente ao milho caiu devido à forte valorização do insumo e à retração nos preços do frango vivo. O Indicador do milho ESALQ/BM&FBovespa (base Campinas – SP) registrou média de R$ 80,76/saca de 60 kg em fevereiro, alta de 8,9% em relação a janeiro. A maior presença de compradores no mercado spot, dificuldades logísticas e estoques internos reduzidos explicam esse aumento. No mercado de frango, a demanda oscilou ao longo do mês, resultando em queda de 2,4% nos preços, com média de R$ 5,37/kg em São Paulo.
Já no mercado de ovos, após um fim de fevereiro com leve retração nas vendas, os preços iniciaram março firmes na maioria das praças acompanhadas pelo Cepea. A menor oferta interna tem sido o principal fator de sustentação das cotações, com exceção do Espírito Santo, onde a desaceleração das negociações resultou em pressão por descontos. A expectativa do setor é que a demanda aumente gradualmente ao longo da Quaresma, período tradicionalmente marcado por um consumo mais elevado da proteína.

O cenário reforça a importância do monitoramento dos custos de produção na avicultura, especialmente diante da alta do milho, principal insumo da atividade. Para o mercado de ovos, a tendência de recuperação da demanda pode sustentar os preços ao longo do período, beneficiando os produtores.
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