Caroline Mendes, de Chapecó (SC)
O futuro da suinocultura brasileira é promissor, mas exige preparo e estratégia para aproveitar o momento favorável. Essa foi a principal mensagem de Marcos Fava Neves, professor da Universidade de São Paulo e especialista em planejamento estratégico do agronegócio, durante a palestra de abertura do 17º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, realizado em Chapecó (SC).
Segundo Fava Neves, a combinação de crescimento populacional, urbanização e aumento de renda, especialmente na Ásia e na África, manterá a demanda aquecida para carne suína, frango e bovina nas próximas décadas. O Brasil, por sua competitividade e disponibilidade de grãos, está bem posicionado para ampliar sua participação no comércio mundial, que já representa cerca de 20% da carne suína exportada globalmente.
O professor ressaltou ainda a importância da bioenergia como vetor de desenvolvimento para a cadeia de proteínas. O avanço de usinas de etanol de milho e biodiesel em regiões produtoras, segundo ele, impulsionará a “carnificação” do interior, criando oportunidades pela maior oferta de coprodutos como DDG e farelo de soja para a alimentação animal.

Apesar do cenário otimista, Fava Neves alertou que o desafio central será construir margem, já que os preços tendem à estabilidade. Para isso, apresentou um “decálogo da competitividade” com dez pontos fundamentais: gestão financeira sólida, acerto no momento de compra e venda, genética e sanidade de ponta, integração eficiente, espírito inovador, sustentabilidade rentável, obsessão pelos controles, liderança e retenção de talentos, comunicação estratégica e engajamento coletivo.
“O Brasil tem tudo para liderar ainda mais no agro, mas ninguém vai para o verde se está no vermelho. Precisamos de empresas financeiramente saudáveis, inovadoras e com visão de longo prazo”, afirmou.
Para o público do evento, que reúne produtores, técnicos e empresas de todo o país, a palestra uniu análises de mercado, exemplos práticos e bom humor, reforçando que, em tempos de oportunidades e incertezas, a competitividade nasce da capacidade de adaptação.
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