Pesquisadores da Embrapa Soja, em Londrina (PR), avaliaram 423 cultivares de soja disponíveis no mercado brasileiro e constataram que 62 delas (15%) possuem a tecnologia STS (Soja Tolerante às Sulfonilureias).
Para a indústria de proteína animal, especialmente a avicultura e a suinocultura, o monitoramento dessa característica genética é estratégico.
A presença ou ausência da tecnologia STS impacta diretamente o controle de plantas daninhas e da “soja voluntária” (tiguera) nas lavouras de milho safrinha e trigo, culturas que compõem a base da ração animal.

O impacto no bolso: custo da ração e repique de pragas
O manejo incorreto de plantas invasoras ou o crescimento desordenado de soja voluntária no meio de lavouras de milho e trigo reduzem a produtividade e elevam o custo de produção dos grãos.
Como a ração representa até 70% dos custos operacionais da suinocultura e da avicultura, qualquer flutuação na eficiência do campo reflete nas margens dos frigoríficos.
O risco da soja “tiguera”: Grãos que caem na colheita da soja e nascem espontaneamente no meio do milho safrinha ou do trigo são comumente eliminados com herbicidas do grupo das sulfonilureias.
Falha no controle: Se o produtor de grãos utilizar uma cultivar STS sem saber, a soja voluntária resistirá à aplicação do herbicida, competindo por nutrientes com o milho e encarecendo o custo do manejo químico subsequente.
Flexibilidade e segurança no manejo de plantas daninhas
Por outro lado, o pesquisador Fernando Adegas, da Embrapa Soja, destaca que a tecnologia STS é uma excelente alternativa ao uso exclusivo do glifosato. Ela permite o controle eficaz de invasoras de difícil manejo e que já apresentam resistência a outros produtos no campo.
O uso de sulfonilureias em variedades comuns pode causar fitotoxicidade (amarelamento, necrose e atraso no crescimento). Já as lavouras de soja STS toleram o defensivo em pré-emergência com total segurança, garantindo tetos elevados de produtividade que abastecem o mercado de farelo e grãos.
Genotipagem vai atualizar mercado anualmente
O estudo foi conduzido pelas áreas de Plantas Daninhas e pelo Laboratório de Genética Molecular e Seleção Assistida da Embrapa.
A triagem utilizou marcadores de DNA para rastrear mutações nos genes Als1 e Als2, responsáveis pela tolerância.
A pesquisa contou com o apoio de cooperativas e institutos como a Coamo Agroindustrial Cooperativa, o Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt) e a Fundação ABC.
De acordo com o pesquisador Rafael Mendes, a intenção do órgão é monitorar e lançar um relatório atualizado dessas cultivares anualmente, permitindo que a cadeia de insumos planeje suas compras e manejos com previsibilidade econômica.



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