As exportações do estado do Rio de Janeiro chegaram a US$ 45 bilhões em 2026, aproximando-se do recorde de US$ 49 bilhões registrado em 2025. O balanço foi apresentado em 8 de outubro, durante o Conexões Produtivas, na sede da Firjan, na capital fluminense, em encontro voltado à diversificação de mercados e à competitividade industrial.
Embora o petróleo continue liderando as vendas externas, os demais setores registraram expansão de 20% neste ano, segundo a ApexBrasil. O avanço inclui segmentos como alimentos e bebidas, indústria metalmecânica e automobilística. Para o presidente da agência, Laudemir Müller, “o fato mais interessante é que, quando olhamos para todos os outros produtos, as exportações fluminenses estão crescendo 20% este ano”.
Mercado europeu concentra oportunidades
Um painel de inteligência comercial apresentado pela ApexBrasil identificou 717 oportunidades de negócios para empresas fluminenses no âmbito do acordo Mercosul–União Europeia. Outro levantamento divulgado pela ABDI apontou 602 produtos com potencial exportador. O estado reúne 567 empresas exportadoras com presença no bloco, destino de aproximadamente US$ 10 bilhões em vendas externas, equivalentes a cerca de 20% do total estadual.
O acordo comercial passou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio de 2026, com redução imediata ou gradual de tarifas conforme o produto. Entre maio e setembro, as exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 27,2 bilhões, alta de 30,6% sobre igual período de 2025. O superávit bilateral alcançou US$ 4,7 bilhões, após déficit de US$ 965,9 milhões um ano antes.

No acumulado de janeiro a agosto, o Brasil vendeu US$ 37,3 bilhões à União Europeia, US$ 4,8 bilhões acima de 2025. O avanço das vendas coincide com a aplicação do acordo, mas não permite atribuir toda a alta exclusivamente às novas tarifas.
Barreiras para proteínas animais
Para as cadeias de proteína animal, entretanto, a abertura tarifária convive com restrições sanitárias. Desde 3 de setembro, a União Europeia suspendeu importações brasileiras de carnes bovina, suína e de frango, além de pescados, ovos e mel, por considerar insuficientes as garantias de controle do uso de antimicrobianos. A medida não decorreu de contaminação identificada em lotes.
Uma auditoria europeia considerou satisfatórios os controles brasileiros nas cadeias de aves e mel, mas a retomada das compras ainda depende de decisão formal do bloco. A análise está prevista para 20 e 21 de outubro. Para a carne bovina, permanecem desafios de rastreabilidade durante todo o ciclo produtivo.
Diversificação exige adequação
Além de identificar compradores, as empresas precisarão cumprir requisitos regulatórios e sanitários para transformar oportunidades em embarques. A ApexBrasil informou ter atendido aproximadamente 1,1 mil empresas fluminenses; durante o evento, também foram discutidas linhas de financiamento e instrumentos de modernização industrial.



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