A Embrapa Agricultura Digital, sediada em Campinas (SP), divulgou na terça-feira (3/11) detalhes da Embrapa Trace, ferramenta que organiza registros de rastreabilidade para soja, café e carne bovina. A iniciativa busca facilitar a comprovação da origem e das condições de produção diante de exigências ambientais e sanitárias do comércio internacional.
A tecnologia está disponível na AgroAPI, plataforma que permite integrar sistemas por interfaces de programação (APIs). Produtores, cooperativas, indústrias, operadores logísticos e verificadores podem compartilhar dados de propriedades, lotes, armazenamento, processamento e transporte, conforme protocolos específicos de cada cadeia.
Integração reúne dados da produção
A Embrapa Trace se conecta ao TerraClass, projeto da Embrapa e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que monitora o uso e a cobertura da terra na Amazônia e no Cerrado. Também utiliza o ElegiAgro, sistema que cruza informações cadastrais e geoespaciais para avaliar a situação agroambiental da produção.
Segundo Anderson Alves, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, a ferramenta reúne informações declaradas pelos participantes e certificações existentes. “A Embrapa Trace padroniza informações autodeclaradas, valida e integra certificações existentes”, explica. Após a análise das evidências, os relatórios de conformidade podem ser disponibilizados para consulta por QR Code.

Regras europeias ampliam exigências
Um dos fatores que impulsionam a rastreabilidade é o Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR), que exige informações sobre origem e legalidade de produtos como soja, café e carne bovina. Entre os critérios, está a comprovação de que a produção não ocorreu em áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020.
As obrigações passam a ser aplicadas em 30 de dezembro de 2026 aos operadores médios e grandes e, em regra, em 30 de junho de 2027 aos micro e pequenos, conforme a União Europeia. Os operadores responsáveis pela entrada dos produtos no mercado europeu precisam realizar as verificações previstas; o uso da tecnologia, isoladamente, não garante a conformidade.
Integração e expansão das cadeias
A Embrapa prevê integrar a Trace à plataforma AgroBrasil Mais Sustentável (AB+S), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Enquanto a AB+S avalia informações socioambientais das propriedades rurais, a Trace se concentra no percurso dos produtos ao longo das cadeias.
Para Luiza Kreimeier, assessora técnica do Conselho Nacional do Café (CNC), a integração de informações pode reduzir retrabalho e ajudar cooperativas a demonstrar a origem da produção. Ela ressalta a importância de testar essas ferramentas nas rotinas das equipes.
Por enquanto, os protocolos divulgados contemplam soja, café e bovinos de corte. Segundo a Embrapa, a previsão é ampliar o sistema para cacau, madeira, borracha, frangos, suínos e pescados, incluindo atum e tilápia, sem data informada para a incorporação dessas cadeias.



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