Durante o aleitamento, a alimentação de bezerras precisa conciliar duas necessidades: sustentar o crescimento nas primeiras semanas e preparar o animal para viver exclusivamente da dieta sólida. O leite ou sucedâneo, utilizado como substituto do leite, responde por grande parte do desempenho inicial. Já o concentrado e a forragem contribuem para o desenvolvimento do rúmen.
Programas com oferta superior a 7 a 7,5 litros diários de dieta líquida podem reduzir o consumo de alimentos sólidos, dependendo do manejo. Surge, assim, um desafio: o ganho de peso durante o aleitamento não garante, isoladamente, que a bezerra consiga manter o mesmo desempenho após a retirada do leite.
Amido e fibra exercem funções complementares
Os carboidratos não fibrosos (CNF), especialmente o amido presente no concentrado, favorecem a produção de compostos como propionato e butirato durante a fermentação ruminal. Esses produtos contribuem para o desenvolvimento do epitélio do rúmen.
A fibra, por sua vez, estimula a mastigação, a ruminação, a produção de saliva e a motilidade ruminal. Por isso, amido e fibra não devem ser tratados como componentes concorrentes, mas como partes complementares da alimentação.
Além da idade ou do consumo diário de concentrado, estudos propõem avaliar a ingestão acumulada de nutrientes fermentáveis. Uma referência em investigação é o consumo cumulativo de aproximadamente 15 kg de CNF. Em um concentrado com 50% dessa fração, isso representa cerca de 30 kg consumidos ao longo do período.
Resultados do Bezerreiro Experimental da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP), indicam variações no tempo necessário para alcançar essa marca. Portanto, o indicador não deve ser utilizado isoladamente para definir o desaleitamento.
Inclusão de forragem exige planejamento
A recomendação de excluir totalmente a forragem da alimentação das bezerras precisa considerar sua quantidade, qualidade, fonte e forma de fornecimento. Em pequenas proporções, ela pode favorecer a saúde ruminal e o comportamento dos animais sem comprometer o desempenho.
Em estudos apresentados pela pesquisadora, dietas completas contendo 10% de silagem de milho aumentaram o consumo de alimentos sólidos durante o aleitamento, além de estimular a mastigação e a ruminação, sem prejuízo ao ganho de peso observado.
Esses resultados reforçam a importância de formular a dieta sólida de maneira integrada, combinando energia, proteína de alta digestibilidade e fibra fisicamente efetiva em proporções adequadas.
Desaleitar não significa apenas retirar o leite. O sucesso dessa transição depende da capacidade de a bezerra consumir alimentos sólidos suficientes e manter o crescimento e a saúde após o desaleitamento.
Carla Maris Machado Bittar é professora do Departamento de Zootecnia da Esalq/USP.
Confira a matéria completa na edição 234 da revista Feed&Food.




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