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Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.453,55=
Bezerro SPR$ 3.286,99=
Boi GordoR$ 366,50=
Soja PRR$ 154,35=
Soja PortoR$ 160,90=
MilhoR$ 68,58=
Suíno Carc.R$ 8,50=
Suíno PRR$ 5,44=
Suíno SCR$ 5,33=
Suíno SPR$ 5,84=
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Soja PortoR$ 160,90=
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Suíno Carc.R$ 8,50=
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Milho e soja: maior oferta e perspectiva de safra robusta pressionam preços

A pressão sobre os preços dos grãos pode favorecer os custos de alimentação de aves, suínos e bovinos.

Disponibilidade elevada de milho e expectativa de produção expressiva de soja em 2026/27 reduzem o apetite comprador e limitam a liquidez nos mercados de grãos, com reflexos sobre os custos da cadeia de proteína animal.

Os mercados de milho e soja seguem pressionados no Brasil diante da perspectiva de ampla disponibilidade dos grãos e da postura cautelosa dos compradores. Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que fatores como a queda das cotações internacionais, a desvalorização do dólar e a expectativa de uma safra volumosa de soja têm contribuído para limitar os preços e reduzir o ritmo das negociações.

As movimentações merecem atenção da cadeia de proteína animal, uma vez que milho e farelo de soja são matérias-primas fundamentais para a produção de rações utilizadas na avicultura, na suinocultura e na bovinocultura.

Milho: oferta elevada mantém pressão sobre as cotações

Os preços do milho permanecem em trajetória de queda no mercado brasileiro, influenciados pela elevada disponibilidade do cereal. Segundo o Cepea, a retração das cotações internacionais e a desvalorização do dólar reduziram a paridade de exportação, contribuindo para pressionar os valores praticados no mercado interno.

De acordo com pesquisadores do Centro de Pesquisas, os compradores continuam cautelosos na realização de novos negócios e acompanham o andamento da semeadura. Apesar do elevado volume de chuvas, os trabalhos no campo seguem em ritmo satisfatório, sustentando as perspectivas de boa oferta nos próximos meses.

Do lado vendedor, os produtores demonstram maior flexibilidade para negociar. O movimento está relacionado tanto ao receio de novas quedas nas cotações quanto à necessidade de geração de caixa.

O milho encerrou o dia 23 de outubro cotado a R$ 64,27 por saca de 60 quilos, acumulando queda de 6,41% no mês, apesar da leve valorização diária de 0,05%, segundo o Indicador Esalq/BM&FBovespa. Crédito: Cepea

Nos portos, os preços também recuaram, com intensidade superior à observada no mercado doméstico. Conforme o Cepea, o movimento foi influenciado principalmente pelas quedas das cotações futuras do cereal e do dólar na última semana.

Para as cadeias de produção de proteína animal, a maior disponibilidade de milho pode favorecer as condições de abastecimento das fábricas de ração. O impacto efetivo sobre os custos, porém, depende também das condições regionais de oferta, da logística e da evolução dos preços dos demais insumos.

Soja: expectativa de safra volumosa limita preços para 2027

No mercado da soja, a perspectiva de uma produção expressiva na safra 2026/27 tem pressionado os preços para embarque no próximo ano. Segundo o Cepea, a paridade de exportação para 2027 atingiu, na última semana, o menor nível desde agosto, em um cenário de condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras do Brasil e dos Estados Unidos.

A expectativa de maior disponibilidade futura tem deixado os compradores mais resistentes à contratação de grandes volumes, tanto para entrega imediata quanto para abastecimento ao longo de 2027. Como consequência, a liquidez no mercado brasileiro permanece reduzida.

O Indicador Cepea/Esalq da soja no Paraná fechou a R$ 146,69 por saca de 60 quilos em 23 de outubro, registrando queda diária de 0,37% e retração acumulada de 5,31% no mês. Crédito: Cepea

Ainda de acordo com pesquisadores do Cepea, boa parte dos consumidores está abastecida para o curto e o médio prazos e tem priorizado aquisições pontuais. A estratégia é concentrar as compras no período de entrada da nova safra brasileira, quando há expectativa de preços mais baixos — perspectiva também indicada pela curva de preços para o próximo ano.

Menor demanda por farelo e óleo também influencia o mercado

Além das expectativas relacionadas à produção agrícola, a demanda por derivados da soja tem contribuído para limitar as negociações da matéria-prima.

Representantes de indústrias brasileiras consultados pelo Cepea apontam que a redução das vendas de farelo e óleo de soja nos últimos dias também tem influenciado o mercado. No segmento de farelo, parte dos consumidores antecipou as compras em setembro e formou estoques, reduzindo expressivamente as negociações no mercado spot nacional.

A soja foi cotada a R$ 152,41 por saca de 60 quilos em Paranaguá (PR), em 23 de outubro, acumulando desvalorização de 5,66% no mês, apesar da alta diária de 0,32%, conforme dados do Cepea. Crédito: Cepea

Para a indústria de alimentação animal, o comportamento dos preços da soja e, especialmente, do farelo é um indicador relevante para o planejamento de custos. A combinação de maior oferta esperada, compras mais pontuais e menor movimentação no mercado de derivados pode manter a pressão sobre as cotações, embora a evolução dos preços dependa também do comportamento da demanda e das condições das safras brasileira e norte-americana.

Mercado de grãos no radar da proteína animal

O cenário descrito pelo Cepea aponta para um mercado marcado pela cautela dos compradores e pela expectativa de maior disponibilidade de matérias-primas. No milho, a oferta elevada e a perda de competitividade das exportações pressionam os preços no mercado interno. Na soja, a perspectiva de uma safra robusta em 2026/27 e a redução das negociações de farelo e óleo limitam a demanda no curto prazo.

Para os setores de aves, suínos e bovinos, acompanhar a evolução dessas cotações será importante para as decisões de compra de insumos e para o planejamento das despesas com alimentação, um dos componentes relevantes dos custos de produção animal.

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