As cotações internas da soja registraram queda na última semana, pressionadas principalmente pela desvalorização do dólar frente ao real e pelas expectativas de uma safra recorde no Brasil. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que o recuo da moeda norte-americana reduziu a competitividade da oleaginosa brasileira no mercado internacional, impactando diretamente os preços no mercado doméstico.
Além do efeito cambial, o cenário de maior oferta também tem influenciado o comportamento dos compradores. Com a perspectiva de uma colheita volumosa, parte da demanda tem optado por adiar novas aquisições, aguardando o avanço dos trabalhos no campo. Esse movimento tem contribuído para a desvalorização dos prêmios de exportação e para um ambiente de negócios mais cauteloso.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que, até 17 de janeiro, cerca de 3,2% da área nacional de soja já havia sido colhida, percentual acima do registrado no mesmo período da safra passada, quando o índice era de 1,2%. O ritmo mais acelerado reforça a percepção de aumento da oferta nas próximas semanas.
Segundo o Cepea, a combinação entre câmbio menos favorável às exportações e expectativa de grande volume disponível no mercado tende a manter pressão sobre as cotações no curto prazo, especialmente enquanto a colheita ganhar tração nas principais regiões produtoras do país.
Apesar disso, agentes seguem atentos ao comportamento da demanda externa e ao andamento da safra, fatores que podem influenciar o mercado ao longo das próximas semanas.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
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