A valorização do dólar frente ao real na última semana de outubro impulsionou os preços da soja e do milho no Brasil, segundo boletins divulgados nesta terça-feira (3) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A reação ocorreu após um período de pressão nas cotações, mas os indicadores ainda fecharam outubro em queda.
O efeito, porém, foi diferente entre as culturas. A soja atraiu compradores estrangeiros e ganhou liquidez no mercado disponível, enquanto o milho subiu com a valorização nos portos e a retração de vendedores, embora as negociações tenham seguido pontuais.
Soja recupera preços, mas encerra outubro em baixa
Em 30 de outubro, o Indicador da Soja Cepea/Esalq – Paranaguá (PR) alcançou R$ 158,88 por saca de 60 kg, alta diária de 0,38%, mas queda de 1,66% no mês. No indicador referente ao Paraná, a saca ficou em R$ 152,22, recuo de 0,16% no dia e de 1,74% em outubro.

Os valores representam recuperação em relação a 26 de outubro, quando a saca valia R$ 155,55 em Paranaguá (PR) e R$ 149,18 no indicador estadual. Segundo o Cepea, o dólar mais forte aumentou a competitividade da soja brasileira e o interesse por negócios de entrega imediata.
Apesar dessa movimentação, agentes brasileiros demonstram cautela com contratos para embarques em 2027. Incertezas quanto ao frete rodoviário, ao custo do diesel e à reforma tributária têm levado parte dos vendedores a preservar estoques da safra anterior.
No dia 27 de outubro, o Ministério da Fazenda prorrogou por 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, concedida a produtores e importadores do combustível. A medida, entretanto, não elimina as dúvidas dos agentes do mercado sobre os custos futuros de transporte.

Óleo de soja também registra valorização
O movimento de alta alcançou os derivados. No óleo de soja, a demanda aquecida elevou os prêmios de exportação ao maior patamar desde março de 2026, conforme levantamento do Cepea. Entretanto, a queda no preço FOB, referência para operações de exportação, limitou a intensidade da valorização no mercado brasileiro.
Milho reage nos preços, mas negociações seguem lentas
No milho, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, referência para a região de Campinas (SP), encerrou 30 de outubro em R$ 65,64 por saca de 60 kg. A alta diária foi de 0,08%, mas o mês acumulou desvalorização de 4,41%. No dia 26, o indicador estava em R$ 64,24.
Segundo o Cepea, a valorização do dólar e dos preços portuários contribuiu para a reação, junto à menor oferta de parte dos vendedores. Compradores, porém, seguiram negociando apenas volumes necessários ao abastecimento, à espera de condições mais atrativas.

As oscilações merecem atenção também da avicultura, da suinocultura e da bovinocultura, que utilizam milho e derivados da soja na alimentação animal.



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