Luís Rua assumiu nesta sexta-feira (16) a diretoria internacional da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), conforme anúncio feito pela entidade em São Paulo. Ex-secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ele retorna à associação para atuar em negociações comerciais e sanitárias envolvendo mercados estratégicos, como União Europeia, Ásia e África.
A nomeação ocorre em um momento de expansão das exportações brasileiras de proteínas animais, mas também de restrições ao acesso a determinados destinos. Desde 3 de setembro, a União Europeia mantém restrições à importação de produtos brasileiros de origem animal, relacionadas a exigências sobre o controle de antimicrobianos.
Retorno após passagem pelo governo
Rua comandou a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa de outubro de 2024 a julho de 2026. Segundo a ABPA, sua gestão acompanhou 408 aberturas de mercado para produtos agropecuários e participou das negociações para superar embargos impostos após o registro de influenza aviária em uma granja comercial, em maio de 2025.
Antes de assumir o cargo público, foi diretor de Mercados da própria ABPA, entre 2019 e setembro de 2024, com atuação na interlocução com autoridades sanitárias, governos estrangeiros e representantes da indústria de aves, ovos e suínos. Também trabalhou na área de relações corporativas internacionais da MBRF, no Brasil e na Argentina.

Ao comentar a nomeação, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, afirmou que Rua trabalhará em negociações ligadas à indústria exportadora: “Agora, de volta ao setor, Rua se voltará a temas complexos para a indústria exportadora de proteína animal do Brasil no mercado global”.
Exportações ampliam importância das negociações
Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou 4,421 milhões de toneladas de carne de frango, alta de 14% sobre igual período de 2025, segundo a ABPA. Na carne suína, os embarques somaram 1,192 milhão de toneladas, crescimento de 6,2%.
Os números demonstram o peso dos mercados internacionais para os setores representados pela associação. Ao mesmo tempo, barreiras sanitárias e mudanças nas regras comerciais exigem acompanhamento das condições de acesso aos países importadores.
Rua disse que “o grande desafio será apoiar ainda mais o processo de internacionalização do setor em um mundo cada vez mais complexo e incerto, que exige diálogo constante, capacidade de adaptação e construção de confiança”. No comunicado, a entidade não informou metas quantitativas ou cronograma de negociações para a nova diretoria.



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