A valorização do boi gordo no estado de São Paulo tem reduzido a diferença entre o preço pago pelo animal e o valor da carne bovina comercializada no atacado da Grande São Paulo. Segundo análise divulgada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) nesta quinta-feira (15), a oferta limitada de bovinos prontos para abate e as dificuldades dos frigoríficos para completar suas escalas têm sustentado as cotações.
No fechamento de quarta-feira (14), o Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq atingiu R$ 379,40 por arroba, alta de 0,37% em relação ao pregão anterior e valorização acumulada de 4,14% em outubro. No início do mês, em 1º de outubro, a referência estava em R$ 366,50, evidenciando o movimento de alta no mercado físico paulista.
A média dos negócios a prazo no estado também avançou, alcançando R$ 383,66 por arroba em 14 de outubro. O valor representa aumento diário de 0,36% e valorização de 4,15% no acumulado mensal.

Carne bovina acompanha movimento de alta
No atacado da Grande São Paulo, a carcaça casada de boi foi negociada a R$ 25,60 por quilo em 13 de outubro, acumulando valorização de 3,27% no mês. Na mesma data, a arroba do boi gordo registrava alta mensal de 3,76%, demonstrando crescimento mais intenso do animal em relação à carne.
Essa diferença pode representar maior pressão sobre a indústria frigorífica. Entretanto, o Cepea ressalta que a avaliação das margens depende de fatores como rendimento de carcaça, custos operacionais e receitas provenientes de outros produtos do abate.
Oferta limitada dificulta negociações
A menor disponibilidade de animais terminados tem dificultado a formação das escalas de abate. Em algumas regiões paulistas, a resistência dos pecuaristas em negociar, diante da expectativa de preços mais elevados, também contribui para a baixa liquidez.

Além disso, chuvas registradas nas regiões de Bauru e Presidente Prudente dificultaram o embarque de bovinos, restringindo temporariamente a oferta disponível aos frigoríficos.
Perspectivas para o mercado
Segundo o Cepea, o comportamento dos preços nas próximas semanas dependerá da disponibilidade de animais, das escalas de abate e da capacidade de absorção da carne pelo atacado.
A demanda característica do último trimestre pode contribuir para a sustentação das cotações. No entanto, a continuidade das altas dependerá principalmente do equilíbrio entre oferta de bovinos e procura da indústria frigorífica.



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