A agricultura empresarial brasileira contratou R$ 107,1 bilhões em crédito rural nos três primeiros meses da safra 2026/27, entre julho e setembro de 2026. Segundo boletim do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o montante inclui operações convencionais e recursos captados por Cédulas de Produto Rural (CPR), sem considerar o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Os dados, compilados a partir do Banco Central e de registradoras de CPR, são provisórios e mostram a predominância de instrumentos voltados ao financiamento da produção no início do ciclo agrícola.
CPRs e custeio concentram recursos
As CPRs movimentaram R$ 50,3 bilhões, equivalentes a 46,9% do total. Esse instrumento permite antecipar recursos vinculados à produção agropecuária. O custeio convencional respondeu por outros R$ 36,4 bilhões, ou 34%. Juntas, as duas modalidades somaram R$ 86,7 bilhões.
Dentro do custeio convencional, R$ 20 bilhões foram contratados pelos demais produtores empresariais, enquanto R$ 16,5 bilhões corresponderam ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).

Investimentos e distribuição regional
Os investimentos atingiram R$ 7,4 bilhões, destinados a finalidades como máquinas, equipamentos e infraestrutura. Entre os programas específicos, o Pronamp Investimento registrou R$ 1,02 bilhão, e o RenovAgro, R$ 845 milhões. Já as operações de comercialização somaram R$ 8 bilhões, e as de industrialização, R$ 5 bilhões.
Na distribuição regional das operações convencionais, sem incluir CPRs, o Sul liderou com R$ 18,6 bilhões, seguido pelo Sudeste (R$ 17,8 bilhões) e Centro-Oeste (R$ 12,7 bilhões). Este último registrou o maior valor médio por contrato, de R$ 1,07 milhão.
Recursos equalizáveis alcançam R$ 20,4 bilhões
Entre as fontes controladas, os recursos obrigatórios somaram R$ 13,5 bilhões, e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) controladas, R$ 12,4 bilhões. Nas fontes não controladas, excluídas as CPRs, a LCA livre respondeu por R$ 12,2 bilhões.
Nas linhas com equalização de juros pelo Tesouro Nacional, foram concedidos R$ 20,4 bilhões de uma programação de R$ 97,6 bilhões para a safra inteira. O levantamento ressalta que o volume contratado nos primeiros meses não indica, isoladamente, o desempenho final do ciclo.



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