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Mesa de Mercado · CEPEA
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Produção global de frango deve crescer 3,5%, mas excesso de oferta pressiona mercados

Relatório do Rabobank aponta aumento dos custos, riscos sanitários e mudanças no comércio internacional que podem afetar a rentabilidade do setor.

A produção mundial de carne de frango deverá crescer 3,5% em 2026, cerca de um ponto percentual acima da média de longo prazo. A projeção consta do relatório Global Poultry Quarterly Q4 2026, divulgado pelo Rabobank em 28 de setembro. Apesar da expansão, a instituição alerta que o aumento da oferta, associado a custos mais altos e consumidores sensíveis aos preços, poderá comprimir margens até 2027.

Na China, a produção avançou 9,5% no primeiro semestre, ante igual período de 2025, ampliando o risco de excedentes. Estados Unidos, Japão, Vietnã e África do Sul também enfrentam desequilíbrios. Em contraste, União Europeia, Reino Unido, Índia, Rússia e Filipinas apresentam condições de mercado mais favoráveis, segundo o banco.

Ração e gripe aviária elevam riscos

O relatório aponta pressão sobre milho, soja, trigo e energia, insumos decisivos para a produção avícola. A volatilidade está ligada, entre outros fatores, a tensões geopolíticas, riscos climáticos e dificuldades logísticas na região do Mar Negro. Nesse cenário, custos de alimentação e eficiência produtiva devem ganhar peso nas decisões das granjas.

Outra preocupação é a influenza aviária. Após impactos relativamente moderados no inverno do Hemisfério Sul, a aproximação do frio no Hemisfério Norte eleva o risco de novos surtos, com possíveis efeitos sobre a produção e as trocas comerciais. O banco defende atenção à biosseguridade e prevê intensificação do debate sobre vacinação.

A produção mundial de carne de frango deve crescer 3,5% em 2026, segundo o Rabobank, mas o excesso de oferta, a alta dos custos e as mudanças no comércio internacional podem pressionar a rentabilidade dos produtores. Crédito: Shutterstock.

Brasil avança nas vendas externas

O comércio internacional de carne de frango cresceu mais de 10% no segundo trimestre de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior, puxado principalmente por Brasil e China. No acumulado de janeiro a setembro, o Brasil exportou 4,421 milhões de toneladas, alta de 14%, com receita de US$ 8,673 bilhões, segundo a ABPA.

A suspensão das exportações brasileiras de frango à União Europeia, em vigor desde 3 de setembro por questões ligadas ao controle de antimicrobianos, pode alterar esse cenário. O Rabobank avalia que parte dos cortes destinados aos europeus poderá ser redirecionada ao Reino Unido, Japão, México, Oriente Médio ou mercado interno, possivelmente com preços menores.

Uma auditoria europeia avaliou favoravelmente os controles brasileiros nas cadeias de aves e mel, mas a retomada dos embarques depende de decisão regulatória, prevista para análise em 20 e 21 de outubro. Enquanto isso, Tailândia e Ucrânia podem ocupar parte do espaço deixado pelo Brasil no bloco.

Perspectivas para 2027

A análise também aponta que a competitividade relativa do frango diante da carne bovina sustenta a demanda global. Entretanto, produtores precisarão ajustar a expansão à capacidade de consumo, aos custos de produção e às mudanças nos fluxos comerciais, em um ambiente de incerteza sanitária e geopolítica.

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