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Mapeamento da aquicultura revela novos caminhos para a Amazônia

Professor da UFPA destaca a importância de dados precisos para orientar políticas públicas no setor

Camila Santos, de Belém (PA) I camila@dc7comunica.com.br
Marcelo Macaus, da Redação I jornalistamacaus@gmail.com

Durante o painel Produção Aquícola na Amazônia – Mapeamento, entraves e soluções para o seu desenvolvimento, o professor e pesquisador Marcos Brabo, da Universidade Federal do Pará (UFPA), destacou a relevância do mapeamento geoespacial para compreender a real dimensão da aquicultura na região.

Marcos Brabo participou diretamente da elaboração técnica do estudo contratado pelo Instituto Escolhas, realizado pela Bússola Farm, que mapeou empreendimentos em viveiros escavados, de barragem e tanques-rede nos nove estados da Amazônia Legal. “Sem dados precisos, não é possível planejar políticas públicas eficientes”, afirma o pesquisador.

Segundo ele, o estudo identificou uma diferença significativa entre os números oficiais e a realidade mapeada. O levantamento geoespacial revelou 40% mais empreendimentos do que os dados apresentados pelo Censo Agropecuário de 2017. Além da localização, a análise considerou o porte dos empreendimentos com base na Resolução Conama 413/2009, destacando que 95% das iniciativas são de pequeno porte, com até cinco hectares de lâmina d’água. “Esse nível de precisão mostra o quanto o setor pode estar subdimensionado nos levantamentos oficiais”, alerta.

A apresentação também trouxe informações detalhadas sobre as espécies cultivadas na região, como tambaqui, tambatinga, pirarucu e, mais recentemente, tilápia e panga. Marcos Brabo apontou que os dados sobre produção, tecnologias utilizadas e mercados atendidos ainda são fragmentados e dependem de fontes diversas, como registros estaduais, estudos científicos pontuais e o trabalho dos extensionistas rurais. “A informalidade é uma das maiores barreiras para o avanço da atividade”, pontua.

‘A informalidade é uma das maiores barreiras para o avanço da atividade’, pontua Marcos Bravo (Foto: Camila Santos)

Para mudar esse cenário, o pesquisador defendeu a adoção de métodos mais modernos e precisos de mapeamento, como o realizado pelo estudo, que já começa a ser usado por estados como Rondônia e Mato Grosso para orientar investimentos públicos. “Governantes e tomadores de decisão já perceberam que, com informação de qualidade, é possível ser mais assertivo nos investimentos, promovendo geração de renda e produção de alimentos de forma sustentável”, conclui.

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