Camila Santos, de Belém (PA) I camila@dc7comunica.com.br
Marcelo Macaus, da Redação I jornalistamacaus@gmail.com
A transformação da aquicultura na região Norte passa necessariamente pela qualificação da informação. Foi o que demonstrou Petterson Vale, idealizador do primeiro mapeamento georreferenciado da piscicultura no Brasil, durante sua palestra no International Fish Congress & Fish Expo Amazônia (IFC Amazônia), que será realizado até esta sexta-feira (25), em Belém (PA).
Em sua apresentação, Petterson Vale destacou as distorções históricas nos dados da produção e mostrou como o uso de imagens de satélite está ajudando a mudar esse cenário. “A tomada de decisão era muito mais baseada em conhecimento tácito do que em informação concreta”, afirma.
A mudança começou com o uso de sensores remotos para mapear, unidade por unidade, os viveiros aquícolas da região. O trabalho, realizado em parceria com o Instituto Escolhas e outros pesquisadores, evidenciou que muitos estados amazônicos têm grande capacidade ociosa. “O diagnóstico de Rondônia, por exemplo, foi feito município a município, revelando com clareza a área de viveiros em uso, os ociosos e os tipos de barragens”, explica. Ainda segundo ele, esse tipo de levantamento permite identificar com precisão onde investir esforços e políticas públicas.
O estudo também comparou os resultados obtidos por imagens com os dados do Censo Agropecuário de 2017, revelando que o mapeamento por satélite identificou, em média, 37% mais unidades produtivas. A aplicação de inteligência artificial (IA) está acelerando ainda mais esse processo. “Hoje, conseguimos treinar algoritmos que identificam viveiros com até 90% de acurácia, substituindo meses de trabalho humano por poucos dias de análise automatizada”, revela Petterson. A tecnologia permite, inclusive, retroceder no tempo e visualizar a evolução da produção desde 2008.

Para o especialista, o futuro da aquicultura na Amazônia passa por decisões baseadas em dados atualizados e acessíveis. “Com inteligência geográfica, conseguimos responder perguntas cruciais: onde estamos crescendo, onde há estagnação e, principalmente, onde podemos avançar”, concluiu. O IFC Amazônia segue até quinta-feira, reunindo especialistas e agentes da cadeia produtiva da pesca e aquicultura de todo o país.
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