A proposta de criação da Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, apresentada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (CONABIO), gera grande preocupação para a aquicultura e para toda a agropecuária brasileira. O documento inclui espécies como tilápia, camarão, ostra, macroalgas Kappaphycus alvarezii, pacu e peixes amazônicos fora da bacia de origem — responsáveis por mais de 90% da produção aquícola nacional.
A tilápia, principal espécie cultivada, está presente no Brasil há mais de setenta anos e já possui regramento consolidado para licenciamento ambiental, biossegurança e manejo sustentável. Trata-se de uma espécie amplamente estudada, com práticas de cultivo bem estabelecidas e grande importância socioeconômica. Considerá-la “invasora” ignora um arcabouço técnico e legal construído ao longo de muitos anos, além de desconsiderar os elevados investimentos realizados por produtores, cooperativas, empresas e toda a cadeia e instituições públicas.
É muito difícil entender as razões que levam alguns técnicos do Ministério do Meio Ambiente, do nada, sem nenhum fato novo, técnico-científico, respaldado na realidade, a considerar a tilápia como invasora, depois de décadas de esforços em regulamentação e desenvolvimento de um pacote tecnológico que a transformou na principal espécie produzida, consumida e exportada pela aquicultura brasileira. Tal proposta poderia fazer sentido 50 anos atrás. Hoje não faz o menor sentido. Ela não pode prosperar. Carece de fundamento técnico, demonstra desconhecimento e total despreocupação com os impactos econômicos e sociais em uma cadeia que já é um orgulho nacional. Somos o quarto maior produtor de tilápia do mundo, atrás somente da China, Indonésia e Egito, e a produção cresce mais de 10% ao ano, maior índice em todas as cadeias de produção de proteína animal do país. A proposta que tramita na Conabio é um verdadeiro tiro no pé do setor e do país.
Leia a coluna completa na edição 223 da revista Feed&Food.

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