A importação de tilápia do Vietnã tem gerado preocupação entre produtores brasileiros diante dos impactos sobre preços e possíveis riscos sanitários. A entrada do produto com valores mais baixos no mercado nacional pressiona a remuneração ao produtor e amplia a oferta em um momento de custos elevados na produção.
De acordo com representantes do setor, a diferença de competitividade está ligada a fatores como carga tributária, exigências ambientais e custos operacionais no Brasil, que tornam a produção nacional mais onerosa.
Pressão sobre preços e produtores
Nos últimos três meses, o volume importado ultrapassou 3.500 toneladas, contribuindo para a queda no preço pago ao produtor brasileiro. O aumento da oferta, somado ao menor custo do produto importado, tem reduzido as margens, especialmente para pequenos e médios piscicultores.
Esse cenário amplia a preocupação com a sustentabilidade econômica da atividade, que depende de equilíbrio entre oferta, demanda e custos de produção.
Risco sanitário entra no radar
Além da questão econômica, o setor também aponta risco sanitário associado à importação. A principal preocupação é a possível introdução do vírus TiLV (Tilapia Lake Virus), doença que pode causar alta mortalidade nos peixes.
O Brasil, até o momento, não registra a presença do vírus, o que reforça o alerta sobre a necessidade de controle rigoroso na origem e no ingresso de produtos importados.

Produção nacional em expansão
O avanço das importações ocorre em um momento de crescimento da piscicultura brasileira. O país ocupa a quarta posição entre os maiores produtores mundiais de tilápia, com produção superior a 700 mil toneladas por ano.
Nos últimos dez anos, a oferta interna registrou crescimento superior a 50%, impulsionada por investimentos em tecnologia, genética, manejo e processamento.
Impactos sociais na cadeia produtiva
A piscicultura tem forte presença de pequenos e médios produtores, sendo relevante para a geração de renda e empregos em regiões rurais.
A pressão sobre preços e margens pode comprometer a continuidade da atividade em algumas propriedades, afetando diretamente a dinâmica econômica local.
Atenção à origem do produto
Diante do cenário, entidades do setor recomendam atenção à procedência do pescado comercializado, como forma de valorizar a produção nacional e garantir padrões sanitários.
O tema deve seguir em debate nos próximos meses, especialmente em função dos impactos sobre a competitividade e a segurança da cadeia produtiva.
Fonte: Peixe SP, adaptado pela equipe Feed&Food
LEIA TAMBÉM
Principais avanços nutricionais no sistema de produção de proteína animal
Exportadores brasileiros reforçam presença na Ásia durante feira em Singapura





