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Genômica acelera avanços e redefine o melhoramento genético leiteiro

Para Dr. João Durr, uso inteligente de dados e seleção genômica já dobrou o ganho genético e encurtou pela metade o intervalo entre gerações.

Caroline Mendes, de Piracicaba (SP)

A avaliação genômica vem transformando o cenário do melhoramento genético leiteiro, encurtando ciclos, elevando a precisão e permitindo decisões mais assertivas no campo. Foi o que destacou o Dr. João Durr, diretor executivo do Council on Dairy Cattle Breeding (CDCB), durante sua participação no Simpósio Brasileiro de Melhoramento Animal (SBMA) 2025, em Piracicaba.

Ele lembrou que, antes da genômica, um teste de progênie de touros podia levar de cinco a sete anos para gerar resultados. Hoje, com a genotipagem feita logo após o nascimento, é possível identificar precocemente os animais com maior potencial produtivo e reprodutivo. O impacto é direto: “A taxa de ganho genético dobrou e o intervalo entre gerações caiu pela metade”, afirmou.

Essa evolução também se reflete em características complexas, como saúde, fertilidade e longevidade. Em alguns casos, a acurácia chegou a aumentar em 35% com o uso da genômica. Um dos pontos que considera decisivos para esse avanço foi a adoção da genotipagem de fêmeas, que transformou a genômica em ferramenta de manejo e não apenas de seleção genética.

Outro aspecto ressaltado pelo especialista é o modelo colaborativo que sustenta o sistema. Produtores, associações de raça, empresas de inseminação e centros de dados trabalham em conjunto, compartilhando informações e garantindo padrões unificados de avaliação. “A base de dados é o ativo coletivo mais valioso que temos. Sem ela, nada do que fazemos seria possível”, reforçou.

“O que temos de mais valioso é a base de dados. Sem ela, nada do que fazemos seria possível.” – Dr. João Durr, diretor executivo do Council on Dairy Cattle Breeding (CDCB)

No panorama de mercado, Durr apontou mudanças importantes, como o aumento do uso de sêmen de corte em vacas leiteiras, impulsionado pela valorização da carne. Essa tendência, segundo ele, tem alterado a dinâmica da genética leiteira e criado novas oportunidades para produtores e empresas.

O especialista também apresentou perspectivas para os próximos anos, como a inclusão de novas características nos índices de seleção — entre elas, velocidade de ordenha, sanidade de bezerros e resistência a doenças. Para ele, o caminho é claro: “O futuro do melhoramento genético será ainda mais dinâmico, mas só teremos sucesso se mantivermos o fluxo de dados, a qualidade das informações e a independência das avaliações.”

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