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Frango registra estabilidade de preços no mercado interno, mas oferta elevada pressiona setor

Alojamento elevado no início do ano amplia disponibilidade de aves para abate e dificulta reação das cotações no mercado brasileiro

mercado de frango

O mercado brasileiro de carne de frango mantém preços relativamente estáveis no atacado e no valor do frango vivo nas principais regiões produtoras. Apesar da estabilidade nas cotações, analistas apontam que o setor enfrenta um momento de pressão provocado pelo desequilíbrio entre oferta e demanda no início de 2026.

Segundo avaliação da consultoria Safras & Mercado, o grande volume de alojamento de pintos registrado entre dezembro e janeiro ampliou a oferta de aves disponíveis para abate neste início de ano. Esse aumento na disponibilidade de produto no mercado interno tem limitado a recuperação dos preços.

De acordo com o analista Fernando Iglesias, o setor deve atravessar um período de acomodação até que ocorra um ajuste no volume de oferta. A expectativa é de que uma redução mais significativa na disponibilidade de aves aconteça apenas no final do primeiro trimestre, o que poderia contribuir para reequilibrar o mercado.

No mercado atacadista, a grande disponibilidade de produto continua sendo um fator de atenção para os agentes da cadeia avícola. Mesmo com exportações em ritmo positivo, o excesso de oferta interna impede uma reação mais consistente das cotações em diversas regiões do país.

Outro ponto que gera cautela entre produtores e indústrias está relacionado ao cenário geopolítico internacional. Conflitos no Oriente Médio e possíveis impactos sobre fluxos comerciais globais são acompanhados de perto pelo setor, que depende fortemente do comércio exterior.

O quadro sanitário na América do Sul também permanece no radar da cadeia produtiva. Casos recentes de Influenza Aviária foram registrados em granjas comerciais da Argentina e do Uruguai. No Brasil, até o momento, as ocorrências seguem restritas a aves silvestres, mas o monitoramento sanitário continua sendo prioridade para evitar impactos na produção e nas exportações.

mercado de frango
Mercado brasileiro de frango enfrenta excesso de oferta no início de 2026, mantendo preços estáveis no atacado. Crédito: Reprodução

Levantamento da Safras & Mercado indica que os principais cortes congelados comercializados no atacado da cidade de São Paulo mantiveram estabilidade nos preços. O peito foi negociado a R$ 9,30/kg, a coxa a R$ 6,35/kg e a asa a R$ 10,00/kg no atacado. Na distribuição, os valores chegaram a R$ 9,50/kg para peito, R$ 6,50/kg para coxa e R$ 10,50/kg para asa.

Nos cortes resfriados, o comportamento foi semelhante. No atacado, o peito ficou em R$ 9,40/kg, a coxa em R$ 6,45/kg e a asa em R$ 10,10/kg. Já na distribuição, os preços alcançaram R$ 9,60/kg para peito, R$ 6,60/kg para coxa e R$ 10,60/kg para asa.

Nas principais regiões produtoras, os preços do frango vivo apresentaram estabilidade, com pequenas variações. Em São Paulo, o valor recuou de R$ 4,70 para R$ 4,50 por quilo. Em sistemas de integração, as cotações ficaram em R$ 4,65/kg no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, enquanto no Oeste do Paraná o preço foi de R$ 4,60/kg. Mato Grosso do Sul registrou R$ 4,40/kg, Goiás R$ 4,45/kg e Minas Gerais R$ 4,50/kg.

Nas regiões Norte e Nordeste, os preços são mais elevados. No Ceará, o frango vivo foi negociado a R$ 5,50/kg, em Pernambuco a R$ 5,40/kg e no Pará a R$ 5,80/kg.

Apesar da pressão no mercado interno, as exportações brasileiras de carne de frango seguem com desempenho positivo. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que o Brasil exportou 460,6 mil toneladas de carne de aves e miudezas comestíveis em fevereiro, considerando 18 dias úteis.

Os embarques geraram receita de US$ 855,9 milhões, com média diária de US$ 47,5 milhões. O preço médio da tonelada exportada foi de US$ 1.858,20. Na comparação com fevereiro de 2025, houve crescimento de 9,8% no valor médio diário exportado, aumento de 5,5% no volume médio diário e valorização de 4,1% no preço médio da tonelada.

Além dos fatores produtivos e comerciais, o comportamento do consumo interno também influencia o desempenho do setor. O ambiente macroeconômico, com inflação ainda em processo de acomodação e expectativas monitoradas pelo mercado, continua sendo determinante para o poder de compra da população e para a demanda por proteínas animais.

Fonte: Safras & Mercado e Secex, adaptado pela equipe Feed&Food

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