A imprevisibilidade das políticas comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou ao centro das preocupações sobre o desempenho da balança comercial brasileira em 2026. A avaliação consta do relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
Segundo o estudo, a deterioração das trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos foi um dos fatores que contribuíram para a redução do superávit comercial brasileiro na transição de 2024 para 2025. Parte dessa perda, no entanto, foi compensada pelo aumento das exportações para a Argentina, aponta o Broadcast.
“O ano de 2025 foi marcado pelas incertezas trazidas pela imprevisibilidade e pelo desrespeito às regras do comércio mundial pelo governo Trump”, aponta o relatório.

Entre os principais acontecimentos que marcam o início de 2026, o Icomex destaca a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, após 26 anos de negociações. Apesar da relevância do pacto, a FGV avalia que seus efeitos não serão imediatos. Os cronogramas de redução tarifária são longos e podem chegar a até 30 anos para alguns setores, como o de automóveis com novas tecnologias. Além disso, os ganhos para a agropecuária brasileira foram limitados pela imposição de cotas a produtos considerados sensíveis.
Outro ponto de atenção é o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que pode afetar a balança comercial brasileira de forma indireta, sobretudo por impactos no mercado de petróleo. O episódio também reforça a preocupação com a possibilidade de políticas mais intervencionistas na região.
A terceira questão citada pelo relatório é o anúncio de uma tarifa de importação de 25% sobre produtos de países que mantêm relações comerciais com o Irã. Em 2025, o país respondeu por 0,84% das exportações brasileiras e por apenas 0,03% das importações. Embora os percentuais sejam reduzidos, a FGV ressalta que o principal efeito negativo é o aumento da incerteza no comércio e na economia global.
“A expectativa de que, em 2026, Trump estaria mais focado em questões domésticas não deve se concretizar”, avalia o Icomex. “Iniciamos o ano com um cenário internacional de potencial conflito, somado ao ambiente eleitoral no Brasil, que tende a gerar volatilidade cambial e impactar decisões de comércio exterior.”
Em 2025, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 68,3 bilhões. As exportações cresceram 5,9% em relação a 2024, enquanto as importações avançaram 7,1%. Ainda assim, o saldo positivo foi US$ 5,9 bilhões menor do que no ano anterior.
O relatório aponta que o comércio com os Estados Unidos passou de um déficit de cerca de US$ 300 milhões em 2024 para um déficit de US$ 7,5 bilhões em 2025. Com a China, o superávit diminuiu de US$ 30,7 bilhões para US$ 29,1 bilhões no mesmo período. Já as trocas com a União Europeia recuaram de um superávit de US$ 1,05 bilhão para um déficit de US$ 0,5 bilhão.
Em contrapartida, o comércio com a Argentina teve desempenho positivo, com superávit de US$ 5,2 bilhões em 2025, ante US$ 0,2 bilhão registrado em 2024.
Fonte: Broadcast, adaptado pela equipe da Feed & Food.
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