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Estudo da Embrapa aponta janelas de oportunidades para tilápia brasileira no mercado internacional

Produção nacional cresce e abre caminho para a conquista de novos nichos, especialmente nos Estados Unidos e na Europa
Por Caroline Mendes
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Caroline Mendes – caroline@dc7comunica.com.br

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O Brasil está diante de uma nova janela de oportunidades no mercado internacional de tilápia. É o que mostra um estudo inédito da Embrapa Pesca e Aquicultura, em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). A pesquisa analisou dados de produção, consumo e comércio exterior e concluiu que o país tem condições competitivas para ampliar sua presença global, especialmente em segmentos de maior valor agregado, como filés frescos e produtos diferenciados.

Atualmente, o Brasil ocupa a quarta posição mundial na produção de tilápia, com cerca de 440 mil toneladas anuais, o equivalente a 7% da produção global. Em uma década, entre 2013 e 2023, o crescimento foi expressivo — 161% — resultado do avanço tecnológico, da expansão da piscicultura em regiões estratégicas e da consolidação da tilápia como principal espécie da aquicultura nacional.

“O país tem condições naturais e estruturais para competir com grandes players, especialmente por reunir características de sustentabilidade, disponibilidade de água e qualidade do pescado”, destaca o estudo.

Estados Unidos continuam como principal destino

O levantamento aponta que os Estados Unidos seguem como o mercado mais promissor para a tilápia brasileira. O país norte-americano é um dos maiores consumidores mundiais da espécie, com um consumo médio anual de 460 gramas por habitante. Mesmo diante de desafios recentes, como as tarifas de importação impostas a produtos brasileiros, o potencial de crescimento permanece elevado — sobretudo para produtos congelados e cortes de maior valor, voltados ao consumo doméstico e ao setor de food service.

De acordo com o estudo, a tilápia brasileira vem conquistando espaço por apresentar diferenciais em qualidade e rastreabilidade, além de atender aos padrões sanitários exigidos pelos importadores. “Há margem para ampliar a presença nos Estados Unidos com uma estratégia focada em nichos premium, produtos prontos para preparo e embalagens voltadas à conveniência”, aponta a análise.

Outro fator que pode favorecer o Brasil é a oscilação nos custos de produção da tilápia asiática, especialmente na China, que ainda domina o fornecimento global. O aumento dos custos logísticos e o encarecimento da ração reduzem a competitividade dos asiáticos, abrindo espaço para o peixe brasileiro — que se beneficia da proximidade geográfica e da qualidade percebida.

Europa desponta como novo mercado a explorar

Se os Estados Unidos representam a consolidação, a Europa surge como uma fronteira a ser conquistada. O estudo da Embrapa identificou um consumo ainda incipiente de tilápia no continente — cerca de 39 gramas por pessoa ao ano, em média —, mas com potencial de crescimento, sobretudo nos segmentos de alimentação saudável, gourmet e sustentável.

Com consumidores cada vez mais atentos à origem e à responsabilidade ambiental dos alimentos, a tilápia brasileira pode se destacar. “O peixe nacional tem atributos valorizados no mercado europeu: manejo ambientalmente correto, rastreabilidade e sabor suave, ideal para diferentes preparos culinários”, ressalta o levantamento.

A principal aposta para a Europa está no envio de filés frescos, um produto que exige logística ágil e eficiente, mas que oferece margens de lucro mais elevadas. A ampliação das rotas aéreas entre o Brasil e o continente europeu, somada à profissionalização das cadeias de frio, torna essa alternativa cada vez mais viável.

Caminhos para o crescimento

O estudo reforça que o sucesso na expansão das exportações dependerá de uma combinação de fatores: organização setorial, investimento em certificações internacionais, inovação no processamento e melhoria da infraestrutura logística.

Entre as recomendações, estão:

  • Adoção de certificações de sustentabilidade e qualidade, como selo ASC (Aquaculture Stewardship Council), já exigido em muitos países europeus;
  • Ampliação da capacidade de processamento, com foco em cortes diferenciados, produtos prontos e embalagens convenientes;
  • Fortalecimento de marcas brasileiras no exterior, destacando atributos como frescor, sabor e responsabilidade ambiental;
  • Integração entre produtores, indústria e governo, para garantir competitividade em custos e previsibilidade regulatória.

“O Brasil tem know-how e condições de produzir uma tilápia com qualidade superior à de muitos concorrentes. O desafio é transformar essa qualidade em posicionamento de mercado, construindo uma imagem sólida junto aos importadores e consumidores”, avalia a equipe técnica da Embrapa.

Desafios e oportunidades

Apesar do otimismo, o setor ainda enfrenta desafios significativos. As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos impactaram os custos de exportação e reduziram parte da margem de lucro dos produtores brasileiros. Além disso, a infraestrutura logística para envio de produtos frescos precisa avançar, principalmente no que se refere à cadeia de frio e ao transporte aéreo.

Há também um desafio cultural: em grande parte da Europa, a tilápia ainda não é amplamente conhecida ou consumida. Isso exige estratégias de marketing voltadas à conscientização do consumidor, explorando atributos de sabor, versatilidade e sustentabilidade.

Por outro lado, o aumento da renda em mercados emergentes e a busca global por proteínas alternativas abrem novas janelas. O Brasil pode ampliar sua presença não apenas nos Estados Unidos e na Europa, mas também em países da América Latina, do Oriente Médio e da África, que vêm se consolidando como novos polos de consumo.

Um setor pronto para avançar

Com crescimento expressivo, tecnologia em ascensão e um produto de qualidade reconhecida, a piscicultura brasileira vive um momento de transformação. A tilápia, principal espécie cultivada no país, se consolida como uma alternativa sustentável e competitiva na oferta mundial de proteína animal.

O estudo da Embrapa mostra que, com planejamento estratégico, inovação e foco em mercados de valor, o Brasil pode não apenas manter sua posição entre os maiores produtores do mundo, mas também conquistar novos territórios e consumidores, fortalecendo a imagem do pescado nacional.

“O futuro da tilápia brasileira depende da capacidade de agregar valor e contar a sua história. Temos um produto de excelência e precisamos fazer o mundo conhecê-lo”, conclui o relatório.

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