Caroline Mendes, de Piracicaba |(SP)
A aplicação da edição gênica no melhoramento de espécies aquícolas foi um dos temas que mais despertou interesse na mesa-redonda realizada na manhã da terça-feira (5), durante o Simpósio Brasileiro de Melhoramento Animal (SBMA 2025). Segundo a pesquisadora Liane Bassini, as tilápias apresentam condições mais favoráveis para o uso da técnica CRISPR devido à temperatura das ovas, compatível com as enzimas utilizadas no processo. Já no caso do salmão, cuja incubação ocorre a cerca de 4°C, a eficiência da enzima cai significativamente, representando um desafio técnico ainda não superado.
Apesar da expectativa, Liane alertou que, antes de investir em tecnologias mais complexas, é preciso consolidar práticas básicas de melhoramento. “Um bom programa genético, bem estruturado e com foco em valor genético e qualidade do filé, ainda entrega resultados expressivos. Não podemos querer correr antes de aprender a caminhar”, afirmou.

Outros especialistas presentes reforçaram que a edição gênica tem potencial para promover mudanças pontuais e estratégicas, especialmente em características de grande impacto econômico. No entanto, não deve ser vista como substituta do melhoramento convencional. “Acreditamos que o uso mais inteligente será complementar, focado em características específicas e aliado a programas sólidos de seleção”, ressaltou um dos participantes.
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