Caroline Mendes – caroline@dc7comunica.com.br
A economia brasileira segue em ritmo de desaceleração controlada, conforme previsto, segundo o relatório “Seguindo a trajetória conforme o esperado” do Rabobank, divulgado em 21 de outubro. O documento indica que, embora indicadores de agosto mostrem ligeira recuperação em alguns setores, os efeitos da política monetária restritiva ainda pesam sobre o desempenho econômico.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, avançou 0,4% em agosto, interrompendo três meses consecutivos de queda. O banco mantém a projeção de crescimento do PIB em 2% para 2025. “Os dados de agosto, apesar da alta na margem, não alteram o cenário de desaceleração na segunda metade do ano”, observa o relatório.
Entre os setores, o de serviços continua sendo o principal motor da economia, com crescimento de 0,1% no mês e acumulando 17 altas consecutivas — resultado sustentado pelo mercado de trabalho aquecido e pela elevação dos salários reais. Já o varejo apresentou expansão de 0,2% nas vendas restritas e de 0,9% no varejo ampliado, impulsionado principalmente pelo segmento de veículos e bens duráveis. A agropecuária, por sua vez, recuou 1,9%, reflexo da concentração da safra no primeiro semestre.
No cenário internacional, o relatório destaca a sinalização do Federal Reserve (Fed) de um possível corte de juros nos Estados Unidos e as preocupações com bancos regionais norte-americanos. No Brasil, o Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano, avaliando que a política monetária “está funcionando conforme o esperado” e deve seguir vigilante diante do cenário inflacionário.
O Rabobank projeta o dólar a R$ 5,55 no fim do ano, refletindo o ambiente de incerteza geopolítica e fiscal, e o IPCA de 4,7% em 2025. Apesar do enfraquecimento global da moeda americana, o real segue vulnerável às oscilações externas e às dúvidas sobre a sustentabilidade do marco fiscal brasileiro.
Mesmo com o avanço moderado da atividade, o relatório aponta fatores que podem mitigar a perda de ímpeto, como os estímulos fiscais — entre eles o vale-gás, o crédito consignado privado e o pagamento de precatórios — que ainda sustentam o consumo das famílias.
Em resumo, o Rabobank vê a economia brasileira “seguindo a trajetória conforme o esperado”: desaceleração sem ruptura, com serviços firmes, crédito mais restrito e um câmbio sob influência das incertezas internas e externas.
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