Caroline Mendes, caroline@dc7comunica.com.br
Após alguns meses de estabilidade, os custos de produção de suínos e de frangos de corte voltaram a subir em setembro, segundo o levantamento mensal da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), da Embrapa Suínos e Aves. O aumento foi impulsionado, principalmente, pela valorização dos insumos utilizados na alimentação animal, como milho e farelo de soja, que seguem com preços firmes no mercado interno.
Pressão sobre o custo da ração
A ração continua sendo o item de maior peso na composição dos custos de produção. No caso dos frangos de corte, ela representa 63,95% do total e teve aumento de 0,83% em setembro. Já o preço dos pintinhos de um dia subiu 1,21%, refletindo as variações de mercado e os custos de manutenção dos plantéis de matrizes.
Com isso, o Índice de Custo de Produção do Frango (ICPFrango) apresentou elevação de 0,88% em relação a agosto, alcançando 355,49 pontos. O custo médio do quilo de frango vivo no Paraná, estado de referência para o indicador, foi estimado em R$ 4,63. Apesar do avanço mensal, o acumulado de 2025 ainda indica queda de 3,25%, resultado da retração observada nos primeiros meses do ano.

Suinocultura também sente os impactos
Na suinocultura, o cenário é semelhante. Em Santa Catarina, referência para o cálculo do Índice de Custo de Produção de Suínos (ICPSuíno), o custo por quilo de suíno vivo atingiu R$ 6,28, aumento de 0,61% frente ao mês anterior.
A ração responde por 70,58% do custo total no sistema de produção em ciclo completo e teve elevação de 0,36% no mês. Com isso, o ICPSuíno chegou a 359,10 pontos. No acumulado de 2025, o índice já registra alta de 1,13%, e nos últimos 12 meses o avanço é de 6,27%, o que reforça o desafio de manutenção de margens positivas para os produtores independentes e integrados.
Gestão de custos ganha importância
Os indicadores calculados pela CIAS servem como referência para todo o setor produtivo, auxiliando na formulação de políticas e estratégias de gestão dentro das granjas. Segundo a Embrapa, o monitoramento contínuo dos custos permite avaliar o impacto das variações de insumos e identificar oportunidades de eficiência produtiva.
Além de Paraná e Santa Catarina, a Central também disponibiliza dados de custos para outros estados com forte presença na avicultura e suinocultura, como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Esses relatórios são utilizados por cooperativas, agroindústrias e produtores autônomos como base para decisões técnicas e econômicas.
Os analistas da Embrapa lembram que, embora os custos tenham subido em setembro, o cenário ainda é considerado de estabilidade relativa quando comparado aos picos observados entre 2022 e 2023, período marcado por forte volatilidade no preço dos grãos.
A tendência, segundo análises da CIAS, é que os próximos meses mantenham oscilações pontuais, acompanhando o comportamento do mercado internacional de commodities e o câmbio. Mesmo assim, a recomendação é de atenção redobrada à gestão de insumos e à eficiência alimentar dentro das granjas, para garantir sustentabilidade econômica no longo prazo.
LEIA TAMBÉM:
Pesquisa avalia bem-estar de bezerras com enriquecimento ambiental
A revolução do Beef on Dairy e os desafios para o Brasil
Saúde intestinal desde o berço garante produtividade ao longo da vida




